Terça-feira, Maio 26, 2009

Do blog Morena Forrozera:
ALCIONE GRAVA "CHUTANDO O BALDE", DE NEI LOPES




Alcione está dando os arremates finais em seu novo disco de inéditas, que tem previsão de lançamento para maio, pela Indie Records. "Acesa", o título deste álbum, promete esquentar com um repertório muito embalado, e que trará as participações especiais de Xande de Pilares e Simoninha. Este último - filho do saudoso Wilson Simonal - divide com ela os vocais em música de Nei Lopes.

Para quem acompanha a carreira da Marrom, sabe que Nei é parceria sempre presente em seu repertório, a ponto de às vésperas de um novo projeto se criar a expectativa sobre o que resultará desse feliz encontro.

E dessa vez, a música é "Chutando o balde", um rap que vira samba, e onde o autor faz uma referência ao seu amigo, o compositor Aldir Blanc, morador da Rua Garibaldi, na Tijuca. A canção poderá ser ouvida também na versão do próprio compositor, que lança seu sexto disco solo no mês seguinte, pela Gravadora Fina Flor e com produção de Ruy Quaresma.


Chutando o Balde
(Nei Lopes)

Chutar o balde
É quando a gente
Está cansado de fazer
Realizar e acontecer
Contra a corrente

Mas pra chutar
Tem que saber
Onde é que o balde
Vai bater
Pra coisa entrar
Sem ofender,
Suavemente

Quem não tem água pra beber
Nem cozinhar seu de-comer
Nem pra lavar, não vai viver
Chutando o balde
Quem já sofreu e aprendeu
Leva na manha como eu
E faz um samba igual ao meu
Que o povo aplaude

Não vale a pena ser juiz
Com tanta fraude
Minando o centro do país
E os arrabaldes
Como dizia Seu Aldir da Garibaldi,
“Quem não agüenta batidão
Vai de Vivaldi”
Ou faz um samba igual ao meu
Que o povo aplaude




Segunda-feira, Maio 25, 2009



QUE TAL TIRAR MILHÕES DE XEROX?

A grande notícia da semana que passou foi a de que Ursula Burns, presidente da Xerox (foto), passou a acumular também o posto de CEO (executiva-chefe) da empresa, partir de 1º de julho.

Nascida na cidade de Nova York em 1958, Ms. Burns (que começou na Xerox como estagiária em 1980 e em 2007 chegou à presidência) é a primeira negra a ocupar esse tipo de cargo entre as 150 maiores empresas do mundo.

Pois é: no país da “RACIALIZAÇÃO”, onde branco é branco e negro (african-american) é negro, os descendentes dos escravizados e explicitamente segregados estão cada vez mais lá em cima. Enquanto isso, no antigo país da “democracia racial”, hoje da “mestiçagem cenográfica”, que copia tudo, mas copia errado, em matéria de xerox, o máximo a que conseguimos chegar foi a “O Homem que Copiava”. Graças ao magnífico desempenho de nosso amigo-irmão Lázaro Ramos.




Sexta-feira, Maio 22, 2009



NADA DE NOVO NO PAÍS DA MESTIÇAGEM CENOGRÁFICA

Você sabia que nos Estados Unidos, os negros (de qualquer grau de pigmentação) são apenas 12% da população total?

E já reparou que, nos filmes de ação feitos em Hollywood as duplas de policiais são sempre compostas por um branco e um negro? E que nos julgamentos em tribunais quase sempre há um juiz ou uma juíza negros? E que nas equipes dos hospitais há, invariavelmente, um, dois ou mais médicos ou enfermeiros negros?

**

Você sabia que, no Brasil, os pretos e mulatos (chamados “pardos” pelo censo), em números de 2006, já somavam 49,5% ? E já reparou como esses números não são visíveis nas telenovelas nem na publicidade da TV, só se aproximando da realidade na recente voga dos filmes e séries que tematizam a violência urbana e a miséria das favelas? Não sabia?

**

Então saiba que, ontem, dia 20 de maio de 2009 o artigo que prevê “a criação de cotas de 20% para negros em programas de televisão e peças publicitárias vinculadas na TV e em salas de cinema” foi retirado do Estatuto da Igualdade Racial em apreciação no Congresso, por pressão de parlamentares do DEM e da bancada evangélica (O Globo, 21.05.09).




Quinta-feira, Maio 14, 2009



PRETINHO DA SERRINHA
Inclusão pelo Samba e pelo Talento


Numa dessas viagens artísticas que a gente faz de vez em quando, o Pretinho mostra o passaporte e se queixa do problema. É que, com menos de 1 ano, o documento já não tem mais lugar pra nenhum carimbo. E seu titular vai ter que viajar de novo, pra muito longe.

- Só na semana passada, em menos de 7 dias, estive em 3 continentes. Dos Estados Unidos fui pra França e da França fui pra Angola! – lamenta.

E tudo isso nos vem à cabeça, agora, ouvindo o CD do músico e ator Seu Jorge, que ganhamos de aniversário. Nele, Pretinho faz direção artística; toca, muito bem, cavaquinho e percussão; e assina a co-autoria de 5 faixas.

Aí, porque a hora é agora, rola (graças ao milagre da Internet) o mini-depoimento há muito prometido. Diz aí, cidadão imperiano Ângelo Vitor Simplício da Silva, cognominado “Pretinho da Serrinha”!

- Bem... Eu nasci no dia 30 de agosto de 1978, na Maternidade Carmela Dutra, na Boca do Mato e de lá fui direto pra Madureira, pro Morro da Serrinha. O lance da música rolou porque desde pequenininho eu ficava secando os ritmistas do Pena Vermelha, um bloco que tinha lá, e que hoje se chama “Prazer da Serrinha”. Vermelho, no reduto do Império, pegava mal, né?

Minha mãe, Maria de Fátima Simplício, foi porta-bandeira do Pena e tocava agogô na bateria do Império Serrano. Meu primeiro instrumento foi um repique, e foi minha mãe que me deu.

Os caras não me deixavam tocar por que eu era muito pequeno, 9 anos, por aí. Mas um dia, num desfile do Pena, o Birita, que era o bambambam do repique, encheu a cara e ficou caído na rua. E como eu estava ali, cercando a entrega das fantasias, não teve jeito: me deram a roupa do Birita.

Isso já era tipo 4 horas da tarde; e o desfile era à noite. Mas minha tia, rapidinho, cortou a calça, dobrou o blusão pra dentro, costurou... E, na hora agá, lá estava eu desfilando na 28 de setembro, como primeiro repique.

No ano seguinte, fui chamado pra fazer um teste no Império do Futuro. Era pra uma viagem com uma companhia de dança, e eu passei. Quando voltei da viagem, eu já era o diretor de bateria. E nesse mesmo ano, o Tião Fuleiro, meu padrasto, me levou também pra comandar a bateria mirim, dentro da bateria do Império Serrano. Mas isso só durou um ano, porque logo juntou tudo.

Com 11 anos de idade, meu pai, Sebastião Pereira da Silva, o “Neguinho da Serra”, estivador do Cais do Porto, salgueirense, cria do morro do Turano, me levava pra tocar com ele no “Botequim do Império”, roda-de-samba que rolava todo sábado à tarde. Lá, eu acompanhei vários artistas da época, como Jovelina Pérola Negra, Dominguinhos do Estácio, Agepê e mais um monte. Tinha também um grupo de samba na Serrinha, chamado “Me Engana que Eu Gosto”. Engraçado é que eu nunca participei de grupo de moleques: eu estava sempre com a galera mais velha. Na Serrinha, o samba era domingo, na hora da feira. Eu acordava, escutava o samba, descia correndo e só voltava à noite.

O tempo passou e, depois de tocar com alguns grupos (toquei também com Darci do Jongo; cheguei até a viajar pra Itália com ele), o Dudu Nobre me pediu pra formar uma banda. Formei, e fiquei com ele uns seis anos. Nesse mesmo período, eu comecei a tocar também com o grupo Dobrando a Esquina. E assim conheci os sambistas de verdade, como Délcio Carvalho, Seu Nelson Sargento, Wilson Moreira, Dona Ivone Lara, Seu Monarco e outros. Aí, pintou o Marcelo D2, depois o Seu Jorge... E assim vou sustentando minha família. ´

Não posso esquecer que aprendi muita coisa com o Careca e o Priminho, no Império do Futuro! Mas o que foi, mesmo, definitivo foi que estudei teoria no Instituto Villa-Lobos. Primeiro foi pagando, com o dinheirinho dos meus cachês. Depois, consegui uma bolsa no Conservatório Brasileiro, com a Dona Cecília Conde.

**

O cidadão Ângelo Vitor Simplício da Silva – nome que consta no passaporte, sempre renovado, de meu amigo Pretinho da Serrinha – é uma prova de que o samba também é veículo de cidadania.




Quarta-feira, Maio 13, 2009



TOADA 121 ANOS DEPOIS


Hoje, daqui a pouco, aqui,
Dezenas de nós, em todo canto,
Ergueremos aos céus
Os punhos desimbambados
As cacundas libertas de libambos
Toando ao ritmo rouco das angomas
Gingando, cambalhotando
Ao som de nossos frouxos berimbaus.
Ali,
Estarão aqueles
Que não inventaram nem o ritmo
Nem a ginga,
Com seus dread-locks de fio plástico
Seus abadás de feira
Seus laguidibás de camelô
Ares compungidos por exigência do mercado.

Mas que sejam benvindos!
E que sejam louvados! Saravá.

Enquanto isso,
Aqui, lá, acolá, e desde sempre
No escuro dos arquivos
No mistério dos pegis e gongás
Nos templos fora-do-comércio
No exílio da mente
Outros tantos
Mas nem tantos
Evocarão nosso holocausto mambembe,
Sem público, sem lobby, sem audiência
Com a chama só de uma vela
Mais três gotinhas de água fresca
Uma caneca de café
E uma tamina de angu
Depositados ao pé desta lembrança.

(NL, 13.05.09)




Segunda-feira, Maio 11, 2009



Ano da França no Brasil – I
O DIA EM QUE BANGU FOI AO CHATÔ DE JACQUES FATH.


Em 1952, o Governo Vargas estava empenhado no plano geral de industrialização do país, sem dependência ou ingerência do capital estrangeiro. Foi nessa que o industrial Guilherme da Silveira Filho, o “Silveirinha”, fez chegar até nós o grande costureiro (hoje seria “designer de moda” ou “estilista”) Jacques Fath – que fazia aquele tipo recorrente nas chanchadas: o da bicha veterana, meio careca, de lenço no pescoço e falando “françuá”. E ele veio para promover os tecidos da Fábrica Bangu.

Diz o folclore local que o estilista passou pela Rua da Feira, fantasiado de Moça Bonita; que tentou passar uma bola por baixo das pernas do Zizinho, no que se deu mal; e que pallmalleou um jeune-homme do Colégio Daltro Santos, numa matinê no Cine Matilde (ou no Hermida?)...

Não podemos garantir que essas coisas tenham realmente acontecido. O que sabemos é que, entusiasmado com Bangu, Jacques Fath resolveu colaborar com o esforço de industrialização do governo Vargas. Aí, desenhou modelos para serem confeccionados com os tecidos nacionais e teve a grande idéia de organizar o “desfile do algodão brasileiro” em Paris, evento que acabaria por gerar os célebres concursos de “Miss Elegante Bangu”, que viriam depois.

Essa festa de arromba, realizada em 3 de agosto no castelo de Corbeville, propriedade de Fath nos arredores de Paris, teve o patrocínio conjunto de Silveirinha e do barra-pesada Assis Chateaubriand, poderoso chefão dos Diários Associados. Mas deu uma tremenda “merde” – como diz o pessoal do teatro. Tanto que foi chamado pelo jornalista Carlos Lacerda, cognominado “O corvo do Lavradio”, de “a bacanal de Corbeville”.

A farra, bem ao jeito do “Chatô” teve de tudo: Jamelão e Orquestra Tabajara; índios idem; Elizeth; passistas de frevo; Ademilde Fonseca; baianas; e até um sanfoneiro albino (conhecido como “Pato Branco”), levado pela direção artística pra engrupir o Chateaubriand, que queria o grande Sivuca, impedido naquele momento.

O “coronel” comandava, vestido de vaqueiro, com chapéu e gibão de couro. E a animação foi tanta que mereceu de Lacerda e seu bando de escribas as seguintes manchetes:

“Cachaça e champagne para 76 brasileiros levados em aviões fretados/ (...) / Celebridades do cinema e do teatro acotovelam-se no ritmo alucinante do castelo do costureiro Jacques Fath/ ‘Uma completa loucura’, diz um convidado deliciado/ Dança nupcial dos índios de Mato Grosso/ Não deixe de ler os pormenores da orgia promovida por um grupo de brasileiros, tendo à frente o Sr. Guilherme da Silveira, acusado no inquérito do Banco do Brasil”. (cf. Fernando Morais. “Chatô, o rei do Brasil”, 1999, pág. 529).

Tudo isso porque um dia, em 1952, Jacques foi a Bangu. O que se não é um fato relevante no contexto do “Ano da França no Brasil”, pelo menos pode dar um enredo engraçado, principalmente na cabeça e nas mãos de um Milton Cunha, por exemplo.




Sexta-feira, Maio 08, 2009
Quinta-feira, Maio 07, 2009



E VAI ROLAR A FESTA.
Você é nosso convidado!


Há dois anos, em maio, o Lote comemorou regiamente o aniversário do Velhote, com o PAN-65, uma festa de arroba (é isso mesmo revisor: festa “de peso”).

Arquibancadas, frisas, geral, cadeiras perpétuas, tribuna de honra e de Imprensa, todas as acomodações receberam o máximo de sua capacidade, como pode ser aferido na foto acima. A pagodeira (o “p” da sigla PAN) rolou redonda e ininterrupta durante 7 horas e 48 minutos. E os mastiguetes & beberiques, como dizia o saudoso Compadre Felipão, que lá esteve - lamentavelmente, pela derradeira vez, como também o inesquecível Luiz Carlos da Vila - aconteceram à altura dos que não eram penetras.

Mas este ano não vai ser igual àquele que passou.

As celebrações, desta vez, ocorrerão em campo neutro. Vai ser - anote o endereço! - no resort Oiobomé Inn (avenida W.E.Dubois # 1888, esquina com Cheikh Anta Diop).

O dia é 13 de maio, quatro depois do 9, iniciando-se a festa com uma alvorada a cargo da fantástica “Fanfarra Musical do Lote, FAMULO”, os fanfarrões em trajes cerimoniais.Na sequência, missa campal, dentro da liturgia afro, a cargo do Bispo Tutu, seguida de um revigorante chocolate-com-biscoito, antecedendo o almoço-surpresa.

Do lado artístico, já confirmaram presença as seguintes atrações de primeiríssima grandeza no firmamento de nossa melhor música popular:

PRETO E MARRONE, dupla sertaneja * RIP e ROP, Mcs. * VELHA-GUARDA DA MANGUEIRA DO AMANHÃ, samba* JEITO SEM JEITO, DECEPÇÃO e OS PREGOS, pagode * TRIO MACAXEIRA, forró de raiz*BANDA ERVA, axé*BATERIA (descarregada) DA SENECTUDE DEPENDENTE DA PADRE MANSO.

**

Esta você não pode perder!!!

**

N.B.: As listas de presentes encontram-se nos seguintes estabelecimentos: Livraria Leonardo Da Vinci (av. Rio Branco, subsolo do Ed. Marquês do Herval); Modern Sound (Copacabana, rua Barata Ribeiro); Chapelaria Porto (Gamboa, rua Senador Pompeu); Gonçalves Alfaiate (Tem-Tudo de Madureira); Souza, sapatos sob medida (Av. Rio Branco).




Sexta-feira, Maio 01, 2009



O LOTE NO SENADO, COM SARGENTO? É RUIM, HEIN !...

Deu na coluna do Gois (30.04.09), o boa-praça especialista em mulatices, que um certo “Ney Lopes” iria com os bambas Nelson Sargento e Monarco a uma audiência no Senado Federal, para reivindicar o benefício da aposentadoria para os sambistas da velha-guarda.

Embora sabendo que “Ney Lopes” é um ilustre parlamentar nordestino, filiado ao antigo PFL, o Velhote do Lote (nas lides urbanas, Nei Lopes), escreveu carta de esclarecimento à coluna do aguerrido mulatólogo, esclarecendo, como num petitório forense, o seguinte:

Que apóia totalmente qualquer iniciativa que vise ao bem-estar dos sofridos trabalhadores brasileiros; e dá toda a força possível às idéias do estimado parceiro mangueirense.

Que, entretanto, em nome da boa informação e de sua imagem pública, já que a notícia dá a leve impressão de que ele está na pior – matando cachorro a grito, chamando Jesus de Genésio – o Velhote solicita retificação baseada nas seguintes razões:

“Compositor musical é um profissional autônomo como outro qualquer e, desde que contribua regularmente para o INSS terá direito a aposentadoria.O que nós, artistas do samba, precisamos é de políticas de expansão do nosso mercado de trabalho, sufocado pela música que vem de fora e seus similares daqui; além do cumprimento das tabelas de remuneração estabelecidas pelo Sindicato dos Músicos.

“No caso dos compositores, o mais urgente, no meu entender, é o respeito dos usuários (rádios, TVs etc) no cumprimento de suas obrigações para com o ECAD, em relação aos nossos direitos autorais.

“Quanto à audiência no Senado, peço licença para informar, com todo o respeito àquela Casa legislativa, que não é de meu interesse. E termino informando, ainda, carinhosamente, que meu nome é grafado com "i" e não com "y", como estampado na nota referida”.

**

Solicitando a gentileza da retificação, o Velhote deu uma corcova; disse um letra com o pé esquerdo atrás do joelho direito fletido; abriu as asas sobre a Imprensa escrita, falada e televisada ..e sartou de banda.