Quarta-feira, Novembro 28, 2007
Segunda-feira, Novembro 26, 2007



Entrevista exclusiva: Nei Lopes

“Academia pra mim, hoje, nem mais a do Salgueiro.
E Universidade só a do Chope”


Entrevista completa aqui.




Quarta-feira, Novembro 21, 2007



NEI LOPES EM DOSE DUPLA NO SESC-TIJUCA

O simpático Sr. Nei Lopes, bom pai, bom chefe de família e bom patrão, estará, durante esta semana, em dose dupla, quinta-feira 22 e sexta 23, no SESC-Tijuca, palestrando e cantando. A palestra é na mesa redonda sobre Religião, na quinta, às 14h30. E o show é na sexta, às 21h. Mas, nesse dia, cheguem às 19h, que antes tem Carlos Negreiros, Tantinho e um "tantão assim" de coisas negras, boas de ver e ouvir. (A Assessoria)




Sexta-feira, Novembro 16, 2007



MAIS UM BRILHO NA MEDALHA

Por ocasião da entrega da Medalha Tiradentes, no último dia 13, nosso Nei Lopes deixou, no plenário da ALERJ e para os anais da Casa, o seguinte “recado”, breve mas incisivo:

“Desde muito cedo tentaram me ensinar que nós, pretos ou afro-mestiços – negros, enfim – teríamos, inapelavelmente, que nos conformar com nossa subalternidade, com o nosso papel de eternos coadjuvantes. Mas eu não aprendi essa lição. Aprendi, sim, foi aquela outra. Que profeticamente dizia que um dia nós disputaríamos os lugares de excelência com as elites que há mais de 500 anos detêm a hegemonia do conhecimento e do poder neste país. E que nesse dia toda a carga de impedimentos e obstáculos cairia sobre nós.

“Em abril deste ano, um rico, poderoso e destacado jornalista saía de seus cuidados para atacar violentamente um modesto artigo meu. Cumpria-se a profecia! A Direita endinheirada saía do conforto dos seus jardins botânicos para lançar mísseis de alto poder destrutivo sobre um negrinho sambista lá do outro lado do túnel e da Via Dutra. Mas os orixás intervieram e o negrinho, como bom sambista, apesar de já velhote, em vez de escorregar, sapateou.

“No momento em que a profecia se cumpria, a única voz poderosa a se pronunciar, num telefonema de apoio e solidariedade, foi a do deputado Gilberto Palmares. E acredito que se deva muito a esse episódio minha presença hoje aqui nesta suntuosa casa que leva o nome de... Palácio Tiradentes.

“Apesar de todo o respeito e carinho que tenho pela memória do alferes Joaquim Xavier, confesso que preferia estar num palácio chamado “Zumbi dos Palmares”. Ou, talvez, Lucas Dantas, líder da “Revolução dos Alfaiates” em 1798. Ou, quem sabe, Manuel Congo, líder quilombola de Vassouras, morto em 1839. Ou ainda João Cândido, líder da Revolta da Chibata, em 1910. Ou – por quê não? – Osvaldão, morto na Guerrilha do Araguaia...

“Mas isso, por ora, é apenas um sonho afro-descendente. Que, entretanto, não desmerece, de modo algum, o mérito de Tiradentes, nem de seu Palácio, nem de sua medalha.

“Medalha da qual, aliás, já se disse muito. E sobre ela, que a partir de hoje, pela ação do ilustre e combativo Deputado Palmares, ostentarei com muita honra em meu peito, digo apenas o seguinte, parafraseando o velho e bom Marques de Maricá:

‘As honrarias e medalhas podem tornar ilustres os indignos. Mas os verdadeiramente ilustres, porque dignos e honestos, esses fazem brilhar ainda mais as mais reluzentes medalhas’ Muito obrigado“.





¿PORQUÉ NO TE CALLAS?

A primeira vez que ouvi a frase aí em cima, foi em 1955, numa aula de História da América do professor Duarte – lembra, Gilberto?. Ele contava as barbaridades cometidas pelos espanhóis quando tomaram o México e eu, não me agüentando mais, fiz ecoar pela sala o meu grito de revolta:

– Covardia! Sacanagem!

Foi aí que, no exato momento em que eu ia sendo rebocado, pelo saudoso Bianor, para fora da sala, convenientemente expulso, a voz, saída lá do fundão do século XVI, chegou ao meu ouvido, cava, soturna, ameaçadora:

– ¿Porqué no te callas?

Aliás, segundo eu vim saber depois, foi essa mesma frase que ouviram, no Caribe, na viradinha do século XV para o seguinte, na hora final de seus respectivos suplícios, quando insistiam ainda em dizer alguma coisa ou simplesmente emitiam um gemido de dor, entre outros e outras, Anacaona, rainha de Xaraguá; Higuarana, de Higuey; os reis Gonabo, de Maguana e Guanacari, de Marien; e Hatuey, cacique dos siboneys cubanos:

– ¿Porqué no te callas?

E, segundo os entendidos, ela foi ouvida também por García Lorca, quando, na hora de seu fuzilamento, em 1936, teria resolvido declamar o poema Prendimiento y muerte de Antonio Torres Herédia, el Cambório.

– ¿Porqué no te callas? – disse a voz. E mandou bala.

E foi com esse belo poema repicando na mente que, noutro dia, resolvi perguntar a um ilustre advogado autoralista o motivo pelo qual a entidade que gere os direitos dos compositores espanhóis, mesmo tendo convênio de reciprocidade com as maiores e mais importantes congêneres brasileiras, insiste em manter um escritório no Rio. Eu mal acabara de formular a pergunta, veio, a voz, lá do Fundo... ou melhor, lá do Mercado Comum Europeu:

– ¿Porqué no te callas?

Meti o rabinho entre as pernas e lembrei que precisava ir ao Banco Santo André, tirar um extrato. Cheguei na cabine, enfiei o cartão, digitei e coisa tal... e aí veio o saldo. Negativo? Mas como? Que taxa é essa? Socorro! Estão metendo a mão no meu bol...

– ¿Porqué no te callas? – . Antes que eu completasse a frase, a voz veio lá de dentro, do fundo do caixa eletrônico.

Apavorado, saí correndo e entrei debaixo de um orelhão pra chamar a polícia. E, mal eu disse “oi”, antes de fazer a reclamação, veio a voz de nuevo, lá do outro lado:

– ¿Porqué no te callas?

Bati o telefone na cara da voz e, felizmente ainda vivo, peguei o celular. Teclei. Esperei um pouquinho. E lá veio o esporro novamente:

– ¿Porqué no te callas?

Será que eu pirei? Vou eu, cabisbaixo, pela rua, como um Lima Barreto pós-moderno (ou um Dom Quixote?). Então resolvo levantar a cabeça sapear um jornal pendurado na banca, em frente à filial do Cervantes que tem aqui perto do Lote. E leio a manchete:

“Espanha tenta difundir idéia da Ibero-américa”

Corro os olhos pelo texto e dou de cara com o gráfico sobre “o peso de cada economia na região”. E lá está: Brasil, 27,5%; Espanha, 19,2%; México, 17,8%, Argentina, 9,5%... e por aí abaixo. Lembro que Brasil e México (além de Cuba, a mulata que não está no mapa) são os líderes musicais do pedaço.

É então que, o pensamento na sociedade dos compositores espanhóis, começo, involuntariamente, a cantarolar o bolero cubano que arrebentou nossos corações na década de 50, na voz do saudoso bigodudo Bienvenido Granda: “No me digas nada / quedate callada / Brilla em tus pupilas/ nuevo amañecer...” – lembra, Gilberto?

Nisso, chega o Braguinha. Que, recuando ainda mais no tempo, lembra a goleada de 1950 e me pede pra cantar com ele a “Touradas em Madri”. Mas não conseguimos cantar tudo. Porque, na caixa de som do boteco onde chupitamos nosso Domecq (que também é de lá), de repente, a voz, livrando a cara do saudoso “João de Barro”, que era fundador da UBC, reboa pela última vez:

– ¿Porqué no te callas?

É claro que quebrei tudo! Celular, orelhão, cartão do Banco, os discos do Fico En Páez, de Charly Graziñas, Gayetano Velóz e Charlito Marrón; derrubei a panela de paella que Dona Lolita preparava, dei uma banda no Manolo... Pra finalizar, resumindo esta história, rasguei bem rasgadinhas as camisas do Real Madrid e do Barcelona, que eu tinha dado à Comadre e ao garoto no natal. E, no meio dessa tremenda revolução “boulevariana” (o boteco era na Vila ), com o ponto de interrogação já de cabeça pra cima, eu acordei. Que pena!




Segunda-feira, Novembro 12, 2007

O PETRÓLEO BOMBOU. JÁ A MÚSICA...

Folheando, ao acaso, aqui, umas revistas antigas, encontradas sob o jornal que anuncia o País como nova potência petroleira, encontramos um assunto que enseja poços e poços de reflexão.

É que, nas décadas de 1950 e 60, a União Brasileira de Compositores, na época uma entidade quase governamental, manteve, através de um convênio com o antigo MEC, Ministério de Educação e Cultura, no âmbito da Lei Humberto Teixeira de proteção à música brasileira, um programa admirável. Nele, a partir de 1958, o Brasil enviou várias “caravanas” anuais de artistas populares para mostrar nossa música na Europa e na Ásia.

A primeira, chefiada pelo grande maestro Guio de Moraes (autor de poderosos arranjos orquestrais de samba), levou à Bélgica, o genial acordeonista Sivuca, o fundamental clarinetista Abel Ferreira, o Trio Iraquitã, de vocalistas precursores, e outros. A seguinte levou à Alemanha, entre outros “craques”, além de Sivuca, o popularíssimo cavaquinhista Waldyr Azevedo, o fabuloso trombonista Norato e os passistas do Trio Fluminense, sensação salgueirense do carnaval de 1958. A terceira, que se apresentou em várias capitais européias, teve – pasmem! – o maestro-pianista Radamés Gnatalli, o multi-instrumentista Zé Menezes (até hoje ativo e acabando de lançar um CD espetacular), e os outros músicos do “Sexteto Radamés”: Chiquinho do Acordeom, Vidal no contrabaixo, e Luciano Perrone na bateria, mais o legendário Edu da Gaita.

A “caravana” de 1961 mostrou à Europa o luxo de Ataulfo Alves e suas pastoras, o irresistível balanço do sexteto instrumental Quincas e Os Copacabanas, e um trio de passistas integrado pelo legendário Milton Cobrinha, que sabia tudo de samba – taí o historiador Flávio dos Santos Gomes que não me deixa mentir! A seguinte, que foi à Europa e ao Oriente Médio, teve Waldyr Azevedo, Orlando Silveira (outro grande mestre do acordeom brasileiro), Leonel do Trombone etc, seguindo-se a ela a trupe que levou a Itália, Alemanha, França, Portugal, Líbano e Egito, Carmélia Alves, a rainha do baião, Peri Ribeiro, Altamiro Carrilho, passistas, instrumentistas etc.

Mais aí veio 1964 e a foto ilustrativa da matéria, na Revista UBC, já mostra uma certa Wanda Maria, por sinal uma bela loira, tocando berimbau; e uma incerta Daysi diante de dois capoeiristas como que estertorando no chão.

Triste metáfora a dessa foto! Que, certamente, os leitores que não sabem da grandeza dos nomes antes citados, não poderão avaliar. Foto que anunciava o que viria depois. E que culminaria com a noite final do “Ano do Brasil na França”, em 2005, quando, o ministro da Cultura já era o músico Gilberto Gil e a UBC era presidida não por um compositor mas pelo gerente brasileiro da transnacional EMI Songs, braço editorial de um dos grupos dominantes da indústria fonográfica brasileira.

Naquela triste noite – segundo amigos que lá estavam – a apoteose foi ao som da música “méxico-texana” hoje empurrada nossas goelas a dentro pelos endinheirados fazendeiros do centro-sudeste do País. Ela coroou o abraço, aos prantos, de seis ou oito rapazes, alguns de botas e chapéus de caubói, no remanescente de uma dupla “sertaneja”, cujo parceiro e irmão tinha falecido meses ou semanas antes. E de quem, diga-se de passagem, os franceses pagantes, que saíam constrangidos e sem entender xongas, nunca tinham ouvido falar.

Pois é isso! O petróleo sempre foi nosso. Mas os gringos é que lucram com o refino. E o pior é que ainda tem brasileiro bobinho confundindo Petrobrás com Texaco e chamando pangaré de manga-larga marchador.




Terça-feira, Novembro 06, 2007



O REI DO GATILHO NO MORRO DO SUPREMO

Foi brabo! De repente, não mais que derrepentemente, o João Pessoa, que escreve lá seus versinhos e faz lá seus forrozinhos, entrou doidão, tresoitão em punho, na “Casa de Noca”, que é o pé-sujo mais típico aqui perto do Lote - na subida do Morro do Supremo - e, mesmo quase caindo, apertou três vezes na direção do Cabedelo, seu conterrâneo e ex-amigo.

No Estado em que estava, João Pessoa, mesmo apertando a queima-roupa, só conseguiu acertar uma ameixa no pobre do Cabedelo. Mas já viu, né? Foi na lata, na cara, arrancando três dentes, um pedaço da língua e fazendo um rombo des’ tamanho na fisionomia do desditoso ex-amigo e ainda conterrâneo.

O negócio foi feio. E as mulheres, como sempre nervosas, gritavam:

- Ai, minha Nossa Senhora! Socorro! Chamem um médico! O homem está se esvaindo em sangue!

Era tudo um grande bafafá, um bololô, um trelelê. Era o cão chupando manga. O Cabedelo lá estirado, numa sangueira só, e o João Pessoa ainda se dando ao luxo de exibir, ali na hora, seus dotes de cantador:

- É maluco do juízo – declamava ele – quem segue este meu rojão: se me mordê, quebro os dente; se intimá, furo no vão... Marmeleiro dá bom facho; catingueira, bom tição; angico dá cinza e brasa; jurema só dá carvão... Onde foi casa é tapera: por sinal, deixa o torrão. Inda que a chuva desmanche, fica o sinal do fogão.

Ia lá o João Pessoa, doidão, na sua cantoria quando de repente... Uóóóóóóóóóóóóóó... Polícia, sirene aberta? Não! Que nada! Era uma ambulância! E sabem quem saltou de dentro dela, cheio de ginga; terno branco de linho S-120; sapato bicolor feito sob medida no Souza, na Rua Larga; camisa de palha de seda, gravata colorida; e no alto do cocuruto um chapéu de panamá comprado na mão do Almir, na Chapelaria Porto, na Senador Pompeu; e ainda por cima com um palito no canto esquerdo da boca, logo abaixo daquele bigodinho parecendo uma divisa de anspeçada? Sabem quem? Hein, hein? Quem?

Era ele, o próprio, o “mulatinho”, o “Kid Morengueira”, “o tal”, que meteu lá:

- Vocês não se afobem, que desta vez Sua Excelência ali não vai morrer. Vocês botem terra nesse sangue, que isso não é guerra. É apenas uma disputa política, de território, e coisa e loisa, tereré, pão duro. E o que vai acontecer é o seguinte: Como o João Pessoa é deputado e tem foro privilegiado, é pelo Superior que ele vai ser julgado. E isso ainda vai demorar um bocado. Aí, quando passarem uns quatorze anos, e os capa-preta lá em cima resolverem chamar ele “aos costumes”, ele, que bebe mas não é trouxa, vai, renuncia ao mandato e diz que quer júri popular, que quer ser julgado pelo povo, que esse negócio de foro privilegiado não é com ele.

O povão que tinha se chegado, atraído pelo papo da grande figura, vibrava com o Morengueira. E ele deixava cair, naquela manemolência, naquela ginga, naquele fraseado:

- Aí, o processo começa tudo de novo. Afinal quem nasceu primeiro, a galinha ou o ovo? Aí vai ano velho, vem ano novo... quando chegar a hora do Tribunal do Povo, em nome da moral, do direito e da decência, o processo já chegou na prescrição e na decadência...

Morengueira é demais! E o povão se acabava. Então, ele arrematou a sua magistral interpretação com um tremendo breque jurídico, em latim:

- Sublata causa, tollitur effectus! Honoris causa... Verbo ad verbum...




Quinta-feira, Novembro 01, 2007



DICIONÁRIO LITERÁRIO AFRO-BRASILEIRO GANHA "EMPURRÃO DE ORELHA"

Para quem não identificou, o simpático sorriso da foto é do professor Domício Proença Filho, o mais recente integrante da Academia Brasileira de Letras. Pois saibam quantos esta nota lerem, que a "orelha" do Dicionário Literário Afro-Brasileiro, saído aqui do Lote para lançamento no próximo dia 1º de dezembro, no Museu da República, leva a assinatura do mestre, que também é verbete do mencionado e esperado livro.

Então, a "orelha", em vez de ganhar um puxão, como é usual naquelas dos meninos levados, ganha é um "empurrão", com o texto do queridíssimo acadêmico e amigo.

Pois é... E ainda dizem que "metida" é a negra Carolina, hein Seu Lopes ?!...