Terça-feira, Janeiro 30, 2007



O LOTE NO QUÊNIA

O Fórum Social Mundial, recém-realizado em Nairóbi, Quênia, deve ter sido muito animado. Esteve lá o Martinho da Vila, com o auxílio inestimável e consciente do violão de nosso parceiro Cláudio Jorge, e esteve também nossa querida Sônia Palhares Marinho, que bota pra quebrar em Brasília e de vez em quando nos dá a honra de visitar o Lote.

Vejam aí na foto a bela Sônia, junto com belas mulheres da legendária etnia Masai, na terra do saudoso Jomo Kenyatta.

A Sônia é a que está em trajes "civis". E este é o Meu Lote, cada vez mais internacional!




Sexta-feira, Janeiro 26, 2007

MARINA E A PROVA DA VELA

Marina tem 19 anos e sempre foi desinibida. Desde os 12, pelo menos, quando, com aquele corpão de 18, endoidava a garotada e os coroas da vizinhança.

Tem a quem sair, a Marina! Pois a Glória, sua mãe, também tem um passado airoso, iniciado ali atrás do cemitério de Irajá, chegando ao Campo da Light em Madureira e culminando numa certa rua perto da Presidente Vargas, nas imediações da atual sede da Prefeitura. Onde, aliás, por artes de Cupido, o feliz casamento com o saudoso Seu Acácio do Armazém encerrou sua brilhante trajetória profissional (hoje ela trabalha por esporte) e a fez realizar o sonho da casa própria.

Mas a filha, Marina, está indo muito mais longe! Pois driblou toda a carência da nossa periferia e fez sua carreira solo, de "modelo e manequim" aqui mesmo, aprimorando técnicas pré-existentes, como o carro alegórico, o frango assado, o santos dumont, o bicicleta sem braço, e inventando outras como, por exemplo, o "duplo twist carpado", vergonhosamente plagiado por uma ginastazinha do Rio Grande do Sul.

Mas, agora, Marina está assustada. E tudo por conta de uma notícia de jornal.

É que o Dezói, ontem, leu pra ela, na banca do André, a seguinte manchete sobre o Pan:

- Ih, olha aqui! "A Marina da Glória vai ser usada para provas de vela".

Marina, tadinha, está assustada, porque essa ela não conhece.Mas a Glória, do alto de sua erudição, a tranquiliza:

- Relaxa e aproveita, minha filha! De repente, com essa, você sobe no pódio. Com champanhe e tudo...




Segunda-feira, Janeiro 22, 2007



RETRATO DE UMA ENTIDADE DE RESPEITO

Desde os anos 80 integramos, como diretor, a AMAR-SOMBRÁS, a única sociedade de gestão autoral musical brasileira (existem mais umas 10) dirigida exclusivamente por autores, compositores e músicos atuantes e não por prepostos, como advogados etc. Vanguarda na luta autoral brasileira, a "AMAR", como é carinhosamente conhecida, é uma das grandes responsáveis pelos melhoramentos introduzidos na atual legislação autoral brasileira. E por sua direção já passou gente da estatura de Aldir Blanc, Cláudio Jorge, Cristina Buarque, Gilberto Gil, Hermínio Bello de Carvalho, Nelson Macedo, Paulinho da Viola, Olívia Byington e Turíbio Santos, sem falar do saudoso Maurício Tapajós, grande líder e criador, eterno Presidente de Honra de nossa entidade.

A AMAR tem hoje como seu presidente o músico e regente Marcus Vinícius de Andrade, pouco conhecido do grande público mas um dos maiores autores de trilhas sonoras do cinema brasileiro, além, de diretor artístico da importante gravadora CPC-UMES, responsável por lançamentos de altíssimo nível, desse que raramente são encontrados (por incrível que isso possa parecer) nas estantes das lojas convencionais .

Na diretoria da AMAR estão também os professores José Alves, violinista, ex-diretor da Escola de Música da UFRJ e Iura Ranevsky, violoncelista e também integrante do corpo docente da Escola, além de serem ambos músicos altamente requisitados para espetáculos e gravações da melhor música popular que se faz no País.

Compõem também a diretoria da AMAR os músicos Maurício Carrilho e Luciana Rabello, que no momento estão sob o foco da mídia por conta de um trabalho espantoso. Trata-se do "Inventário do Repertório do Choro", pesquisa que revelou mais de oito mil obras de compositores, entre 1870 e 1920, e que, depois de dar origem à coleção "Princípios do Choro", com 15 CDs, acaba de gerar, agora, a coleção "Choro Carioca - Música do Brasil", com nove CDs em que é abordada a obra de 74 autores do gênero, naturais de várias partes do país.

Luciana, cavaquinhista, é mulher de Paulo César Pinheiro, reconhecido como um dos maiores letristas da música popular brasileira em todos os tempos. Pois Paulinho é vice-presidente da AMAR e está também, no momento, sob o foco da grande mídia na condição de autor da peça teatral "Besouro Cordão de Ouro", em cartaz no CCBB, e que mereceu rasgados elogios da "dama de ferro" da crítica teatral brasileira, Bárbara Heliodora.

De nossa modesta parte, acabamos de ser focalizados na seção Retratos Capitais ("As personalidades em evidência") da revista Carta Capital que está nas bancas (nº 428, de 24.01.07), em bela foto de Luiz Garrido (veja acima).

Essa é então a AMAR-SOMBRÁS, uma entidade realmente diferente. Onde, muito mais do que administrar direitos autorais, todos os dirigentes, estão, acima da burocracia que envolve a arrecadação e distribuição desses direitos e muito além das paradas de sucesso, empenhados em ações de vulto, inexoravelmente fadadas a permanecer como marcos na História da Cultura deste país sem memória e, cá entre nós, bem sem-vergonhazinho, não é?




Terça-feira, Janeiro 16, 2007

SEU HILÁRIO, HMMM...NÃO FOI MOLE, NÃO!

Acabamos de obter, através da mais recente edição da revista Carioquice, publicada pelo Instituto Cravo Albin, uma informação surpreendente. Vem do trabalho do arquiteto e historiador Nireu Cavalcanti, especialista em coisas do Rio Antigo, e é sobre Hilário Jovino Ferreira, um dos "fundadores" do carnaval popular carioca.

Hilário, como aprendemos, nasceu em Pernambuco, viveu na Bahia e destacou-se por ser o criador do primeiro rancho carnavalesco carioca, tendo dividido, durante algum tempo, a liderança da comunidade baiana da "Pequena África" com a legendária Tia Ciata.

O "Tenente Hilário" , como referido inclusive pela crônica carnavalesca da época foi, como aprendemos, integrante da Guarda Nacional, daí seu título. E teria morrido em 1933, com mais de 75 anos.

Agora, entretanto, através de pesquisas realizadas pelo professor Cavalcanti no Arquivo Nacional, vêm à tona algumas interessantes informações sobre ele:

Que em 1902 morava no número 16 da Travessa das Partilhas (atual rua Costa Ferreira, a rua do "Estúdio Havaí", transversal à Senador Pompeu, na região da Central do Brasil) e pagava também o aluguel de uma moradia na rua Barão de São Félix nº 157 - o terreiro do famoso pai-de-santo João Alabá era no nº 174.

Que, por Hilário dever vários meses do aluguel desse imóvel, no dia 15 de setembro de 1902, o procurador do proprietário, indo cobrar a dívida, foi recebido pelo locatário empunhando um revólver; que, então, vindo um soldado do Exército desarmar o "tenente", foi por ele ferido na mão, o que custou a Hilário prisão em flagrante e enquadramento nos artigos 303 e 307 do Código penal da época; e que, finalmente, na ocasião, o famoso carnavalesco declarou ter 29 anos.

Quase vinte anos depois, em 1921, as pesquisas do Doutor Nireu Cavalcanti vão encontrar nosso personagem envolvido, como réu, em outra ação de despejo, desta vez tendo como objeto a residência de nº 85 da rua Nabuco de Freitas, no sopé do Morro do Pinto, no Santo Cristo. E em 1928, novo despejo, agora numa casa de vila no Catete.

De posse desses dados, o pesquisador chegou a conclusões importantes. Primeiro que, com essa folha corrida, por mais que fosse desmoralizada a Guarda Nacional, nosso querido Hilário Jovino não poderia integrá-la, ainda mais no posto de tenente. Segundo é que, se ele tinha realmente 29 anos em 1902, não poderia ter chegado ao Rio em 1872 e muito menos fundado logo um rancho, como declarou em célebre entrevista ao saudoso cronista Jota Efegê.

O único episódio ainda não contestado da saga de Hilário Jovino no Rio é aquela deliciosa história narrada pelo velho Donga no Museu da Imagem e do Som: que Hilário roubou a mulher do Seu Miguel Pequeno, que era uma espécie de "cônsul" da comunidade baiana do Rio naquela época, provocando uma grande confusão. Essa senhora, mulata baiana para 500 talheres, segundo seus contemporâneos, e chamada Amélia Quindúndi, talvez fosse a verdadeira moradora da casa da Barão de São Félix 157...

Seu Hilário, pai de um montão de filhos, como um bocado daqueles pioneiros do samba e do carnaval, não era mole não! Fazia Amor e fazia Guerra! Deus o guarde!




Sexta-feira, Janeiro 12, 2007

DOIS POEMAS PARA O SEU DOMINGO

1

PLANTAS

Plantas nascem porque nascem
Se o solo é propício.
Adornar
Curar, exorcizar
Temperar, matar
É seu princípio.

Se ninguém lhes desperta a serventia
Nem fomenta seu viço
Fenecem de fome
Sem ofício
Ou benefício


2

COMER COM A MÃO

Comer com a mão
É estabelecer a relação
Gosto-tato.
Gozar
O axé do alimento
Ainda no prato
Antes de entronizá-lo
No céu do palato.

Amassar, amolgar
Molemente
O arroz, o feijão
Moldando o capitão
Gesto ritual primal
De afeição.

A boca vai ficando cheia dágua
Gruta orvalhada
À espera da consumação
Do ato.

Ao contrário do Homem
Bípede bobão
Que se lambusa na babugem
Da sua pretensão,
Os Deuses
Sacralizam o que comem
E exorcizam a fome
Com a mão.

Sem intermediação.




Segunda-feira, Janeiro 08, 2007

RÉQUIEM PARA ESMERALDA
E louvação ao Hospital Veterinário da UFRRJ


Muito mais que um espaço de convivência familiar, socialização e produção de conhecimento, o Lote é lugar de aprendizado em todos os níveis. Aqui, aprendemos com o vento, a chuva, o sol, as plantas, e principalmente com os animais.

Aqui, quando vemos, por exemplo, um cágado ou jabuti se esbaldando nas rodelinhas do ensopado de quiabo, confirmamos sua relação com Xangô. Quando sentimos galinhas, pintinhos e cachorros agitados, sem que haja gambá ou gavião por perto, notamos que há seres estranhos ao nosso convívio e mesmo à nossa dimensão terrena, o que os bichos percebem antes de nós. Aprendemos tanto com os feios sapos, lagartos, morcegos e corujas que de vez em quando nos visitam, em busca de seus insetos e frutas de cada dia, quanto com os graciosos "beija-flores de Nei Lopes" que vêm aqui provar da água que passarinho bebe. E, através dos bichos, acreditamos cada vez mais nos desígnios da Suprema Força.

Mas por quê escrevemos tudo isto? - há de perguntar-se o leitor. E aí explicamos que este texto vem a propósito da perda de um animal querido, nossa cabra Esmeralda (nome inspirado, por jocosa associação de idéias, na personagem cigana do Corcunda de Notre Dame, que tinha uma cabra chamada Djali ), companheira da menorzinha Villagrán - e aqui, a homenagem, não menos brincalhona, é ao patrono da Engenharia, "nossa arma".

O passamento nos foi comunicado na tristonha tarde do sábado Dia de Reis, pela voz embargada do Dr. Bruno Gonçalves de Souza do hospital do Instituto de Veterinária da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Ele e seu colega médico Ulisses Stellman - além do Dr. Gilberto Seppa que já atendera a paciente em 2004 - lutaram meses pela recuperação de Esmeralda. Mas não deu.

Curioso é que ela nos chegou aqui no Lote para ser dada em oferenda a um orixá. Mas, por um capricho qualquer (que depois soubemos ter sido uma doença do sangue, das hemácias) não foi necessária sua imolação e ela permaneceu entre nós, crescendo e até emprenhando, embora logo abortasse.

Lição de vida, a da Esmeralda! Que veio certamente nos preservar e à nossa família do mal e da doença, imolando-se, por si mesma, em nossa defesa. Que veio para nos mostrar, principalmente através dos médicos Bruno e Ulisses, que nem tudo está perdido no Brasil, no serviço público, na medicina, na universidade, na vida.

Esmeralda, ka sun reô! Descanse em paz!

Vida longa ao Hospital Veterinário da Rural!




Sexta-feira, Janeiro 05, 2007

COM AS BÊNÇÃOS DE JOÃO CARLOS DO RIO

João Carlos Rodrigues, para quem não conhece, é carioca, jornalista, cineasta, produtor musical e autor de livros importantes como O negro brasileiro e o cinema, Pequena história da África Negra e João do Rio - uma biografia. Especializando-se na vida e na obra desse grande cronista da belle époque carioca, João Carlos tornou-se um dos maiores conhecedores do muito que rolou na cidade entre 1880 e 1830. E, por isso, foi a ele que o Velhote do Lote recorreu para a primeira leitura de "Mandingas da mulata-velha na Cidade Nova", nosso recém terminado texto de ficção, uma novela passada no eixo Rio-Bahia, naquela época.

Que bom que João Carlos gostou! "Me diverti muito. É interessante e bem escrito - as principais qualidades de um livro, a meu ver". - ele escreveu. Então, impulsionado por esse gás, o Velhote vai sair em campo, buscando editora. E enquanto isso não acontece, oferece, de tira-gosto, um bocadinho do quitute, pros visitantes do Lote. Olhaí !

**

(...)
Menos de 1 hora depois do merecido esporro que levou do Dr. Roberto, na Tribuna, Costinha já está na rua. E a primeira casa a que chega - depois de aconselhado e orientado pelo veterano Francisco Guimarães, repórter de política, de polícia e profundo conhecedor do mundo do carnaval e das macumbas - é a de Abedé, na rua João Caetano 69.

O velho africano, lúcido e muito bem disposto apesar de quase centenário mas falando um português ainda bastante tortuoso, conta ao repórter que primeiro morou na rua Senador Pompeu 112 mas que, depois, por questão de comodidade, veio pra cá.

A casa não tem nenhuma aparência de um terreiro de calundu ou candomblé e nem mesmo de uma casa de fortuna. Parece, à primeira vista, mais um consultório médico ou um laboratório científico. E o que transmite essa impressão é, além da estante de livros, onde se misturam uma Bíbia, um Alcorão, um exemplar do Kebra Nagast etíope, as Profecias de Nostradamus e a Santa Cruz de Caravaca, é a parede. Nela, a licença da Polícia, com todos aqueles selos, carimbos e estampilhas, autorizando o funcionamento do seu "Centro de Tradições Africanas". E, por mais incrível que pareça, uma habilitação como paramédico, assinada pelo chairman do Tuskegge Institute e um inimaginável diploma de Doutor em Ciências Ocultas, expedido pelo Howard University, nos Estados Unidos.

Explicando, na sua fala arrevezada, no seu ocololô de negro mina, inclusive pontuado de expressões em macarrônico inglês, que o diploma representa apenas uma especialização, pois essas coisa já se nasce sabendo, ele fala:

- Lívuro num insina sabiduria...

- Mas o senhor foi, como é que se diz... foi iniciado.

- Io feitcho quando naceu, maifrén.

É reticente o velho pai-de-santo. Mas é vaidoso. E depois de alguns elogios do repórter à sua biblioteca e ao seu diploma, abre a fala, começa a mostrar a casa e se detêm num objeto estranho, que pende do teto. É uma pequena cabaça, enfeitada de contas, búzios e penas coloridas.

- Iú nou ser esse? - pergunta ao repórter, que demonstra a mais completa ignorância.

Trata-se de um Ossâin, o orixá das folhas, dos remédios, da medicina. É através dele que Abedé consegue suas curas milagrosas, cuja fama já chegou até Botafogo. O povo de Congo chama de Gurunfinda, que quer dizer javali, porco do mato. E isso porque o javali anda no mato fuçando as folhas e as raízes com que se sustenta. Mas os nagôs, iorubás, dizem "Ossâin". E esse é o nome certo - tenta ele explicar, arrematando:

- Euê, Ossâin! Ossâin um das greitest orixá puruquê tarabaia no paciença, slou, pass bai pass, muntcho paciença, kini-kini, iú nou? Paciença véri imporotante nossa tarabaio ni orichá...

O repórter já quase esquece o motivo que o trouxe ali. Abedé explica, agora, que Ossâin descobre e dá a folha que faz falta, que alivia, que cura... e até a que mata.

- Mata? - o repórter se assusta.

O velho sorri superior, sem aprofundar o assunto. E acrescenta que Ossâin, junto com Xangô, é o dono dos tambores. Ele não baixa, não desce na cabeça das pessoas, porque a sua força é tanta que a pessoa não iria agüentar. Não baixa mas fala, diz o africano E como fala!

- Fala, como? - o repórter não entende. - Como é que pode uma cabaça cheia de penas falar?

Abedé solta o objeto do cordão que o prende ao teto e o retém na mão, como um bicho de estimação.

- Esse cabacinha chama Ossâin. Muntcho força, poder. Principal é no política.

- Eu sei que o senhor recebe aqui muita gente da alta. Nas suas festas.

- Pulítico, chefe, deputada, vem meu casa puruquê?

-Pra se divertir, pra comer, pra beber...imagino eu.

- Êris vêm meu ilê puru causo di Ossâin, maifrén.

- O senador também?

- Tomém!

- O filho do presidente também?

- Ossâin muntcho poder, ioiô!

- Então, o senador...

- Io dixe tarabaio era 20 miréis. Oll de things, turo incuruído. Tarabaio garantiro. I turu múndu viu: foi senadô 10 ano, ten íers. I vai sê di nôvu, 1927. Brasí turo vai vê.

- Mas como é que foi o trabalho?

Abedé explica que foi Ossâin. E que quando viu ela falar... (eh,eh,eh) ...o Senador se arrepiou todo, arregalou uns olhões desse tamanho e ficou assim, de boca aberta. Ossâin falou para ele tudinho, tudinho, tim tim por tim tim, como é que era, como é que não era, e o que iria acontecer. Quando acabou, ele, aí, ainda meio bobo, meteu a mão no bolso, tirou a carteira, e em vez de pagar os 20 mil réis combinados, botou 1 conto e 100 no pé de Ossâin.

- Eueô! Ossâin muntcho poder, maifrén. Mai tem sabê tarabaiá cum era.

Mal o velho africano acaba de relatar o caso, ouve-se na sala uma voz cava e meio rouca que diz clara e pausadamente: "Norata morreu às 6 horas".

O repórter se arrepia todo e procura descobrir o truque. O Ossâin de Abedé fala de verdade e já tinha contado a ele. O velho põe de novo o santo no lugar, senta-se, oferece cortesmente a cadeira de palhinha ao repórter e, sem ser perguntado, começa a dizer tudo o que o repórter queria. E, ainda na sua fala difícil de africano do Sudão ocidental inglês. Que, agora, para conforto do leitor, havemos por bem grafar já "traduzida" (...)