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Sábado, Abril 29, 2006
O SAMBA NÃO ESTÁ TÃO BEM ASSIM. Nem de Imagem nem de Som. Hoje, cortando o cabelo aqui perto do Lote, o rádio da barbearia transmitia um programa com a "Irmã Rosinha", a governadora. Saco! Aí, enquanto era tosquiado pelo fígaro e torturado pelas infantilidades que ela falava, me lembrei do "Caso Noca da Portela", sobre o qual, por tristeza e decepção, não quero me pronunciar. Mas quero, sim, falar de coisas que o colunista Artur Xexéo, a propósito do caso, andou escrevendo sobre o samba: que o samba está ótimo, que a Lapa está bombando; que tem Teresa Cristina; que Zeca Pagodinho é o maior vendedor de discos, blá,blá, blá... Se o samba está tão bem assim, pergunte-se ao colunista porque é que as tais majors da indústria fonográfica internacional em atividade no Brasil, só têm, no segmento, o Zeca e o Dudu Nobre (e parece que o nosso lusófono Martinho), entre centenas de artistas dos diversos segmentos pop-rock. Pergunte-se também se ele sabe qual é o cachê médio de um sambista, em qualquer casa noturna carioca, da Lapa a Vila Isabel. Pergunte-se, mais, se ele encontra, com facilidade, nas lojas, um CD destas nossas gravadoras independentes, que produzem o melhor do samba que hoje se faz no Brasil e se ele ouve esses sambas nas rádios? Indague-se, ainda, porque certa mídia teima em misturar "samba" com "escola de samba", alhos com bugalhos. Pergunte-se finalmente a ele, enquanto editor do Segundo Caderno de O Globo (ainda é ou já era?), qual foi, no ano passado, nesse suplemento, o percentual de matérias publicadas sobre o samba em relação àquelas referentes ao segmento pop-rock - inclusive até sobre "bandas" de roqueiros servos, croatas, eslovenos e casaquistaneses... ** O samba não está bem, não, Irmã Rosinha! Nem de imagem (porque não está na tevê) nem de som (porque não toca nas rádios). E não se esqueça a senhora que, lá onde se ergue hoje o MIS, um dia funcionou a "morgue" (galicismo da época) carioca, o necrotério, o antigo Instituto Médico Legal do velho Distrito Federal. Astral baixíssimo! Sexta-feira, Abril 28, 2006
PIXINGUINHA CARINHOSO, SEM LAMENTOS O Velhote do Lote deu um rolê pelo nordeste (BA, SE, AL, PE, PB, RN (Natal e Mossoró) e CE, levando seu canto para aquela gente boa. Foi bom demais! Vimos coisas que só Deus duvida!
E tivemos a honra de dividir os palcos (belíssimos todos, enormes, confortáveis, de ópera) com a diva Fatima Guedes, sobre a qual já se disse tudo, e com um sertanejo-pop da pesada, pesquisador do Brasil Central, compositor talentoso, intérprete altamente expressivo, articulado, polticamente embasado, engraçado e gozador chamado Genésio Tocantins, meio índio meio cabra de Lampião.
A química entre os três funcionou perfeitamente, não fosse Luís Filipe de Lima o diretor. Teve gente até lembrando do "Opinião", aquele show histórico que reuniu Nara, Zé Kéti e João do Vale. De quebra, o som de Itamar Assiere (piano), Ruy Quaresma (violão), Nilze Carvalho (cavaquinho), João Baptista Che (baixo), Erivelton Silva (bateria), Naífe Simões (percussões) e Jerê Jeremias (violão tocantinense). E a eficentíssima produção de Débora Cruz, a "Tia Débora do Forrogode", tranqüila, cobrando horários, ensaios, som, descascando uvas, tudo legal, sem stress. O Velhote aqui, musicalmente falando, "Pegou Geral", naquela do Dudu Nobre. E, por conta da gastronomia (baixa, não, Zé Guéri!) voltou com mais 12,5 cm, de cintura, constrídos à base de caranguejos, macaxeiras, carnes de sol, feijões de corda etc.
Mas o jogo de cintura permanece. E o velhote Voltou feliz, pronto para comemorar seus 64 anos taurinos. Como dizia o Ibrahim, "depois eu conto". PS: Resta agora uma mobilização forte para que o Projeto Pixinguinha não acabe. Quem sabe tombá-lo? Ou transformá-lo numa lei? E, aí, envolver universidades, secretarias estaduais e municipais de educação e cultura... Vamos botar isso no papel e conversar com Ana de Holanda, na Funarte, e nossa deputada Jandira Feghali, que entende dessas coisas. Um Pixinguinha bem organizado, correndo o Brasil, de leste a oeste, de norte a sul e centroeste, sem hip-hop, isso, sim, é uma tremenda ação de cidadania. Terça-feira, Abril 25, 2006
O TEATRO DA ESCRAVIDÃO Hello, turistas afro ou not afro! O Lote recomenda uma olhada na matéria do site no mínimo que, com o título acima, mostra um hotel fazenda em Vassouras, RJ, que explora o turismo, teatralizando cenas da escravidão. Com direito a tronco e chibatadas (pra quem não pagar a diária). Dêem uma olhada. Merece. PS - E aguardem relato minucioso de nosso tour pelo nordeste, via Projeto Pixinguinha. Sexta-feira, Abril 21, 2006
ALBERTO IKEDA E O NOVO FOLCLORE A edição especial "Temas Brasileros" da revista História Viva, nas bancas desde março, publica, entre outros, inclusive um do Velhote do Lote, um texto impactante do etnomusicólogo Alberto T. Ikeda. Nele, intitulado "Do lundu ao mangue-beat", o autor, depois de nalisar o fenômeno da "apropriação e expropriação cultural" das escolas de samba, denuncia a repetição desse fato numa nova onda. Desde os anos 90, nessa onda, jovens, em geral intelectualizados, voltam seu interesse por músicas "de raiz", formando conjuntos de música e dança (maracatu, jongo, ciranda etc) dentro do âmbito folclórico ou étnico, ou até mesmo se integrando a grupos tradicionais. Sob pretexto de valorizar tais expressões, muitos desses jovens vêm - com a ajuda de verbas públicas ou de leis de incentivo - promovendo festivais e espetáculos, bem como produzindo documentários, livros e discos, sem que, na maioria das vezes, os frutos desses empreendimentos revertam para os grupos focalizados. Ikeda informa também o surgimento - na esteira dos "sambódromos" hoje espelhados por todo o Brasil, e que já tinham gerado "bumbódromos" em Parintins e São Luís - de um "congódromo", para apresentação de congadas, em São Sebastião do Paraíso, MG. É, meu amigo Ikeda... a chamada "Lei de Gerson", aqui, é a do "Zé do Patrocínio"!
MADUREIRA NÃO CHORA MAIS No início dos anos 50, o Madureira Atlético Clube, o "tricolor suburbano", teve um trio final constituído pelo goleiro Irezê, que durante a semana dirigia um lotação Madureira-Irajá; pelo beque direito Bitum, que trabalhava com meu irmão Mavile numa gráfica; e pelo beque esquero Weber, que era da Polícia Especial. Quando o Vasco jogava em Conselheiro Galvão, lá ia eu, com meu saudoso primo Vando, bonezinho na cabeça pra proteger contra o sol, levando de merenda um sanduíche de carne assada e 2 laranjas (o jogo era cedo e domingo o almoço saia mais tarde). E muitas vezes vi esse trio final suando, coitado, diante do Ademir, do Ipojucan, do Dejair, do Chico... Acontece que nunca mais eu soube do negão Bitum nem do mulato Irezê. Mas dia desses, li no jornal que o beque Weber, hoje S. Excia. Desembargador Weber Martins Batista, recebeu uma homenagem do bairro de Zaquia Jorge e ingressou na Academia Madureirense de Letras. Logo após essa auspiciosa notícia, fico sabendo também que o Madureira - antigo celeiro do Vasco, para o qual produziu, entre outros, Jair, Lelé e Isaías - foi quase campeão carioca, só faltando jantar o Botafogo. Pois é isso: Madureira, que nasceu sertão da Freguesia de Irajá e acabou se tornando a legítima capital do Subúrbio carioca, não chora mais de dor, como nos tempos da vedete. Agora, gargalha. De Dona Clara até o Largo do Otaviano; da Domingos Lopes até Osvaldo Cruz; da Igreja do Sanatório até a Portelinha. Tô certo, Gilberto? Segunda-feira, Abril 17, 2006
GIUSEPPE GHIARONI (Da série "Os Que Fizeram Minha Cabeça") Ando às voltas com um romance. "Carioca, mas nem tanto", como digo no subtítulo provisório. E, nele, após uma cena dramática em que uma personagem perde um filho assassinado, ocorre-me a frase que incia o paráfrafo seguinte: "Perder um filho é como achar a morte...". A frase - cuja forma correta, sei agora, é "o filho" e não "um filho" - é de Giuseppe Ghiaroni, um dos poetas que fizeram minha cabeça, num famoso poema intitulado "Dia das Mães". Radialista antes de tudo, Ghiaroni, nascido em Paraíba do Sul em fevereiro de 1919, foi um autodidata. De aprendiz de ferreiro, ajudante de cozinha, aprendiz de barbeiro, praticante de trocador de ônibus, caixeiro de armazém e office-boy, fez-se, depois de ler tudo quanto lhe chegava aos olhos, redator de anúncios, de programas radiofônicos, tradutor, novelista e sobretudo poeta. Poeta discriminado pela intelligentzia, talvez porque fosse "do rádio", como as cantoras de má fama. Por volta de 1955, na Escola Visconde de Mauá, chegava-me às mãos um livro de poemas de Ghiaroni (não sei se era O Dia da Existência, de 1941, ou A Graça de Deus, de 1945, pois o volume não tinha nem capa nem página de rosto). A partir desse livro, comecei a querer poetar, escrever como ele, principalmente pra "fazer uma presença" junto às meninas, que já pintavam timidamente no pedaço. Uns três anos depois, o radialista Manoel Barcellos, grande nome da Rádio Nacional, candidatava-se a deputado ou vereador, não sei bem. De seu staff, fazia parte o Joel, neguinho esperto, motorista, filho do Seu Dias, irmão do Pepeco e do Hugo, e sócio fundador do Grêmio Pau-Ferro, fundado naquele momento, no nosso Irajá de nascença. Através do Joel, Pau-Ferro e Manoel Barcellos celebraram um pacto eleitoral. Que levou ao Irajá artistas como Gerdal do Santos (depois meu colega no foro), Rogéria, Escovinha e muitos outros. E um dia foi lá também o Ghiaroni, talvez o "intelectual" do staff, talvez o redator dos discursos. Como o Pau-Ferro ainda não tinha sede, só um terreno ainda provisório, o patriarca Seu Luiz Braz Lopes recebeu as autoridades na casinha em frente, que era exatamente a nossa. E lá, meus olhos, de tiete enrustido, deliciaram-se ao ver o poeta provar a cachacinha que o Velho, na falta de coisa mais fina, serviu. Ghiaroni, como bom poeta, bebeu e estalou a língua. Sem saber que, ao seu lado, estava um rapazola que lhe procurava seguir os passos. Um escrevinhador que bem mais tarde tornou-se colega de trabalho de sua filha Regina, continuadora e preservadora de sua obra. Que Regina Ghiaroni leia este texto! Para saber que seu Velho, que evoco no meu romance, um dia tomou uma cachacinha com o meu. E que o grande Giuseppe (de quem nunca mais vi um livro) foi um dos que fizeram minha cabeça. Quinta-feira, Abril 13, 2006
CASA DO PAGODE E DIREITOS MORAIS Compro na banca de jornal, na promoção, o DVD "Casa do Pagode", comemorativo dos 20 anos de lançamento do LP "Raça Brasileira", que catapultou para o sucesso Zeca Pagodinho, Jovelina Pérola Negra e Mauro Diniz, além de lançar a hoje sumida Elaine Machado. Foi gravado no Circo Voador em dezembro de 2004 e estão lá, entre outros, o grupo Partideiros do Cacique (meu sobrinho Tchá-Tchá-Tchá esbanjando ritmo e simpatia), o Fundo de Quintal, Luiz Carlos da Vila, Arlindo Cruz, Sombrinha, Mauro Diniz, Ircéia, Renatinho Partideiro, Beth Carvalho cantando o repertório da sumida Elaine (onde andará?) e meu parceiro Wilson Moreira, cantando o nosso "Senhora Liberdade", além de muito mais gente boa e amiga. A produção foi do Marcos Salles, que é do tempo do "Raça Brasileira" para o selo SIGLA, do Sistema Globo. No final, os créditos. Pareciam de tese de mestrado. Agradecimentos às copeiras, aos seguranças, aos motoristas, aos pais, às mães... só que, em nenhum momento, creditaram-se aos sambas interpretados suas autorias. E isto, quando a Lei Autoral diz claramente em seu artigo 24: "São direitos morais do autor: (...) II - o de ter seu nome, pseudônimo ou sinal convencional indicado ou anunciado, como sendo o do autor, na utilização de sua obra; (...)" Tirei o DVD e olhei bem a bolacha. Nada! No estojo, também nada! Será que foi só esquecimento? Hein, Marcos Salles? Hein, SIGLA?
A TRILHA DO SACI Eu acredito em saci. Tanto que tenho um amigo que é. Fazia muito tempo que eu não o via mas no domingo 26 de março, de manhã, ele veio aqui pras vizinhanças do Lote, num redemoinho que derrubou árvores, arrebentou fios e arrancou telhados - principalmente no campus da Universidade onde sua filha vai estudar. Sim, porque o saci meu amigo tem filha universitária. E chegou a mim por telefone, matando velha saudade, depois da tormenta, pra falar de racismo, tevê, côngrio rosa, vinho branco - essas coisas de saci. Chama-se Romeu Evarismo, o meu amigo saci. Tremendo ator, que ficou famoso ainda bem rapazinho, na série televisiva Sítio do Picapau Amarelo. Tremendo ator mal aproveitado, como seu colega Cosme dos Santos, desde criança fazendo, até hoje, nas telenovelas, o "negrinho da fazenda"; e muitos outros. Mas vamos falar de coisas agradáveis, como diz minha neta. E essa coisa engraçada aconteceu nos anos 80, eu e o saci batendo um papo enquanto não começava o legendário pagode "Corre Pra Sombra", na já saudosa Vila Isabel. Várias crianças brincavam na calçada, e nenhuma delas se dera conta de que ali, pertinho, palpável, ao alcance da mão, só que de bermuda e com duas pernas (graças a Deus), estava o ídolo televisivo. Foi quando chegou o tão talentoso quanto espalhafatoso flautista Cláudio Camunguelo que, a título de saudação, do alto de boné branco, desembainhou o instrumento e mandou lá a introdução da musiquinha do Sítio, de autoria de S. Exa. O Sr. Ministro da Cultura: "Tiriri-liriri-ririri... Tiriri-liriri-riri..." Ah, mermão! Pra quê!? Quando escutou a música e bateram os olhinhos nos olhões arregalados e no sorriso alvo do Romeu, as crianças ligaram uma coisa a outra e partiram pro assédio: "Saci! Saci! Saci!" Que agradável confusão! Marmelada de banana, goiabada de marmelo! Foi lembrando esse episódio que eu e meu amigo Romeu chegamos a esta conclusão óbvia: "Saci na televisão, só com trilha sonora." Ou, melhor: "Crioulo na tevê tem que ter várias pernas, se não dança". Quinta-feira, Abril 06, 2006
RACISMO ESCORREGA NA MAIONESE O CONAR, conselho que regula a propaganda no Brasil, deu uma chamada nos fabricantes de uma maionese dessas aí, por conta de um fimete que anda passando na televisão. Nele, um explorador é preso numa selva por agressivos canibais de pele escura e cabelos crespos e aguarda ser temperado e cozido para a deglutição coletiva da tribo. De repente, ele tira um vidro da maionese e dá pro chefe provar, numa folha de alface, o que opera o milagre: os canibais resolvem dispensá-lo, maravilhados, contentando-se apenas com o produto anunciado. Propaganda ou publicidade, todos nós sabemos, é a comunicação feita para influenciar, convencer e persuadir. Na propaganda comercial, a intenção do anunciante é influenciar principalmente o público supostamente identificado com o produto que deseja vender. Para definir o perfil desse público consumidor, pesquisa-se sobre a classe sócio-econômica, os hábitos e atitudes de consumo etc., desses potenciais compradores; e isto, através de figuras ou personagens com quem eles se identifiquem. No Brasil, embora esteja havendo, hoje, uma maior presença de modelos negros na publicidade, ela ainda está longe de expressar o peso real do povo negro na composição étnica e na cultura da nação brasileira. Partindo-se do princípio de que parte ponderável e cada vez maior do povo negro no Brasil utiliza serviços bancários, compra em supermercados e shoppings, usa produtos de beleza, hogiene, limpeza e toucador; e utiliza serviços essenciais, chega-se à constatação que a publicidade deveria retratar melhor essa realidade, utilizando mais negros e afro-mestiços em seus anúncios. Mas o problema da maionese é outro. O anúncio, no único intuito de fazer gracinha, reforça um estereótipo extremamente racista e ultrapassado: ¿negro é selvagem, burro, sujo e come criancinha¿. Então, em boa hora o CONAR chamou agência e anunciante na chincha. Pra ver se não escorregam mais na maionese. Terça-feira, Abril 04, 2006
NEI LOPES (POP) ON THE ROAD A quem interessar possa, avisamos que Nei Lopes, às portas dos 64 anos, finalmente aderiu. Já fala "alô, galera!" e já está "na estrada", neste abril, com Fatima Guedes e Genésio Tocantins (Projeto Pixinguinha). Da seguinte forma: Quinta, 6 - Salvador, Teatro Castro Alves, 19,30 h. Sexta, 7 - Aracaju, Teatro Tobias Barreto - 21 h. Seg, 10 - Maceió, Teatro Gustavo Leite - 20 h. Qua, 12 - Recife, Teatro Santa Isabel - 20 h. Qui, 13 - João Pessoa, Teatro Santa Roza - 20 h. Seg, 17 - Natal, Teatro Municipal Sandoval Wanderley - 19,30 h. Ter, 18 - Mossoró, Teatro Municipal Dix-Huit Rosado - 20 h Qui, 20 - Fortaleza, Anfiteatro do Centro Dragão do Mar - 20 h. PS. O departamento biográfico do Lote informa que Jerônimo Dix-Huit Rosado (n. 1912) foi prefeito de Mossoró e governador do RN, sendo irmão dos políticos Jerônimo Vingt e Jerônimo Dix-Sept Rosado Maia. |
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