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Segunda-feira, Janeiro 30, 2006
ROBERTO CARLOS : SÃO MUITAS EMOÇÕES, BICHO!
O "Quintal do Irajá", que é o ancestral do "Lote", sempre teve bons desenhistas. Desde aqueles da areia, com graveto, aos do creion em papel vergê, passando pelos do nanquim no papel vegetal. Então, quando aparece no Clã uma criança desenhando legal, ninguém estranha. Mas é que a Larissa Lopes tem só 6 anos, meus camaradas! E "recebeu" o Roberto Carlos na ponta do lápis. Olhem aí. Te cuida, velho Lan! Cuidado, meu amigo Cássio Loredano! Alô, Chico Caruso! Olha a Larissa Lopes aí, gente! Em ritmo de aventura, com muitas emoções. Demonstrando em traços e troças que todo avô é um babaca em potencial. Ou uma brasa, mora? Splish, splash. Quinta-feira, Janeiro 26, 2006
EU, OLODUM ME CONFESSO. Nosso querido Olodum, que nasceu bloco-afro e hoje é, mesmo, escola de cidadania, geração de emprego, politização e transformação social, este ano homenageia Angola. Como já homenageou Guiné Bissau, "estrela da revolução africana" (82), Tanzânia (84), Cuba (86), a Revolta dos Búzios ou Revolução dos Alfaiates (98) etc., sempre a partir de uma perspectiva revolucionária, e mesmo com a polícia baixando o cacete, que o cacete da polícia baiana (vimos lá no Pelô, sábado passado, o couro comendo em ritmo de samba-reggae) não é mole, não! Nesta de Angola, tamos dentro. Nós que já vimos e ouvimos, lá, in loco, os canhões e os tambores rimbombarem. Então, atendendo a pedido dos amigos João Jorge e Nelson, emprestamos um pouco de nossa modesta experiência aos autores do tema. E arrematamos com o textinho abaixo, pro jornal olodumiano que sai no carnaval. Vamo lá! ** Olodum-Angola: A Vitória É Certa. E a Luta Continua. A velha e inócua discussão sobre as origens do samba, bem como sobre as matrizes da cultura afro-brasileira em seu sentido mais amplo, passa sempre pelo falso antagonismo Rio de Janeiro versus Bahia. A ponto de, recentemente, uma '"etnomusicóloga" de boteco ter afirmado, num jornal, não me lembro onde, que o "samba iorubá", o da Bahia, era diferente do "samba bantu", o do Rio. Gargalhadas à parte, todos reconhecemos a importância da cultura jeje-iorubana - irradiada para todo o Brasil a partir do fim do século 19, quando inclusive se formou a comunidade baiana no Rio de Janeiro, com seus candomblés - como matriz de nossa africanidade. Mas todos aqueles que estudamos um pouquinho sabemos que, quando esses oeste-africanos começaram a chegar em massa ao Brasil (o século 18 registra bolsões de cultura jeje em Minas Gerais e no Rio, mas não havia presença massiva), os bantos de Angola e do Congo já estavam aqui há muito mais tempo, com sua cultura disseminada por todas as partes do território nacional onde se explorou riqueza: no nordeste açucareiro, aí, incluído o Recôncavo Baiano; no sudeste das minas de ouro e do café; no sul do gado e das charqueadas etc. É a esses bantos do reino do Congo (ao qual Angola pertenceu até o século 17) e da Angola propriamente dita que devemos a maior parcela de tudo o que somos, enquanto batuqueiros, sambadores e resistentes. Certamente foram os descendentes desses bantos angoleiros que, interagindo com os jeje-nagôs, criaram o samba brasileiro, as chulas da capoeira e a capoeira propriamente dita, o berimbau, o ganzá, a cuíca, o maculelê e todas as danças de roda, com aquelas umbigadas cheias de significado. E, quem duvida, que se reporte ao sambangola que sempre se segue ao xirê dos orixás, após a roda dos erês, enquanto o dia não amanhece de todo. Foram também esses banto-descendentes que trouxeram para cá os quilombos (valeu, Zumbi!), os mocambos, a cabula, o bangüê e por aí vai. Sem Angola não haveria Brasil, alguém já disse. E é este, no meu entender, o mais profundo significado do tema do Olodum - entidade que carrega em seu nome toda uma semântica iorubá - neste carnaval de 2006. Homenageando a Angola dos Kiluanje, da rainha Nzinga Mbanji (personagem ainda hoje viva nas congadas do sudeste), de Uanhenga Xitu, de Óscar Ribas, de Manuel Rui, de Agostinho Neto, e de todos os soberanos guerreiros, poetas, ritualistas, músicos etc, que empunhando quiçanjes, lanças, poemas, escudos, fuzis-metralhadoras, códigos civis, táticas guerrilheiras e inteligência; homenageando todos os que, principalmente de 1482 a 1975, empreenderam a mais impressionante resistência à opressão colonizante, burrificante e empobrecedora de que sem notícia na História da humanidade, o Olodum presta mais um serviço à Cultura brasileira. Pois é este exemplo angolano que nós do Olodum, tanto em Salvador quanto aqui no Rio, tanto "bantos" quanto "sudaneses" (se é que algum de nós, além do nível puramente simbólico ou emocional, tem realmente certeza de onde veio) homenageamos neste carnaval. Angola, assim como o Olodum, guerreia, canta e dança. Pois a vitória é certa. E a luta continua! (NL) Segunda-feira, Janeiro 23, 2006
OBRAS Há os que fumam Os que cheiram, cafungam... Manuel Bandeira tomava alegria: Eu faço obras. Uma parede aqui, embora de sopapo Para conter a enxurrada De versos que teimam em me escorrer Aos borbotões pelos olhos. Um telhado ali, mesmo que de sapê Para me proteger De oju-burucu, afitibu, araiê Indaca de afofô Línguas de fogo, Descendo de cúmulos-nimbos aziagos. Um cômodo a mais para caber mais um sonho: Esse que agora me vem, em pleno outono - Pra reformar ou demolir meu sono? (12.02.03) Sexta-feira, Janeiro 20, 2006
NEI LOPES NO PELÔ Neste Sábado, 21, no Femadum Neste sábado, nosso Nei Lopes estará "chacoalhando os xequerés" no Largo do Pelourinho, a partir das 21 horas, no tradicional FEMADUM, o grande festival anual do famoso bloco-afro. Cidadão Olodum 2005, Nei estará, acompanhado por Luís Filipe de Lima (violão), Márcio Hulk (cavaquinho), Ovídio Brito e Naífe Simões (percussões), mais o reforço da batucada olodumiana, cantando para um público estimado em 5 mil pessoas. No "cardápio", principalmente saborosos pratos-feitos da gastronomia lopes, principalmente aqueles do repertório de Zeca Pagodinho, Dudu Nobre e Alcione, dos quais o velhote é habitual fornecedor. Diz aí! Segunda-feira, Janeiro 16, 2006
DEZ ANOS SEM A GRANDE VOZ IMPERIANA Há 10 anos, em janeiro de 1996, a música popular brasileira perdia um de seus maiores intérpretes, o campista Dermeval Miranda Maciel, em música "Roberto Ribeiro. Semana passada, sem o destaque necessário, Liete de Souza, parceira de vida conjugal e de samba do querido cantor, promoveu uma festa na quadra do Império Serrano. E lançou um livrinho, para salvar do esquecimento a memória do grande artista. O texto que se segue é nossa modesta contribuição ao trabalho de Liete de Souza. O NEGRO ROBERTO RIBEIRO Enquanto há alguns anos era um sério tabu até mesmo se falar no problema do negro no Brasil, cresce hoje, entre os descendentes dos africanos que ajudaram a construir esta Nação, um sentimento bastante saudável que é o de valorizar e recuperar os laços que nos ligam aos nossos antepassados e tentarmos construir um futuro feliz e igual para todo o mundo. A Negritude, que é como ficou conhecido este sentimento, não configura, em absoluto, nenhuma forma de preconceito ou discriminação racial. Quando nós negros -- assim compreendidos os pretos e mestiços, de pele mais escura ou mais clara, com maior ou menor grau de sangue africano nas veias ; quando nós negros procuramos ressaltar os valores das culturas e civilizações florescidas na África e recriadas no Brasil, não estamos fazendo nenhum tipo de racismo. O que nós queremos é que esses valores sejam reconhecidos e respeitados, já que são tão importantes quanto os dos colonizadores e imigrantes que para cá também vieram. Existem várias formas de se lutar por esses valores. Uns preferem o trabalho social comunitário, outros a militância partidária, outros optam pelas teses universitárias e outros, ainda, escolhem o caminho da arte. Ente os artistas, há aqueles expressamente engajados nesse trabalho. E há outros que, talvez até sem perceber, exalam, transpiram, irradiam este sentimento sofrido mas gostoso que é o de ser negro num país hipócrita mas profundamente amado por todos os seus filhos. O líder Candeia, por exemplo, estava no primeiro caso. E Roberto Ribeiro, razão deste nosso texto, estava no segundo. Analisando a obra gravada por esse que foi, sem sombra de dúvida, um dos maiores cantores brasileiros de todos os tempos, vamos encontrar entre as canções de todos os estilos que o consagraram definitivamente, obras como "Tempo-ê", "Prece a Xangô", "Todo menino é um rei", "Jongo do irmão café", "Ginga, Angola" "Fumo de rolo", "Tia Eulália na xiba" etc, nas quais já nos títulos se sente o inebriante cheiro da negritude - ou o "bodum das senzalas", como dizia o velho racismo. Demerval Miranda Maciel, o nosso Roberto Ribeiro (1940-96) era de Campos, terra onde o negro africano e seus descendentes deixaram marcas indeléveis, trabalhando nos canaviais e folgando nos terreiros, sofrendo nos troncos e resistindo nos quilombos. E foi do Império Serrano, escola de samba nascida praticamente dentro do Cais do Porto do Rio, na arena da luta gloriosa dos politizados trabalhadores negros da legendária Resistência. Roberto Ribeiro foi o cantor das dores e das alegrias de seu povo. Por isso é que o povo, principalmente o do Samba, sempre amou e nunca traiu o negro Roberto Ribeiro, que foi e continuará sendo a nossa legítima, verdadeira e própria voz. (Nei Lopes - 2005) Quinta-feira, Janeiro 12, 2006
DRUMONDIANDO NO LOTE Como toda boa família pobrezinha mas patriarcal, a antiga do Irajá se reunia "à mesa", ritualisticamente aos domingos. O Velho fazia o "confere", sentava-se à cabeceira, tomava um gole de abrideira, dava um pouquinho, só um golinho, pro violonista Ernesto, o primogênito, e aí, o almoço fumegando quentinho (feijão com tudo dentro, arroz, macarrão e carne-assada) começava o papo. Quem fez isso, quem fez aquilo; quem foi melhor em campo; quem tirou zero em matemática e só mostrou o dez em inglês (quem, quem?); quem anda beliscando a mulher do vizinho; quem só quer saber de ir pra casa do Seu Zé tocar sanfona; quem vai casar; quem quer morrer solteirão; quem vai melhorar de emprego; quem está terminando o curso de corte-e-costura; quem quer estudar datilografia de noite pra ser alguém na vida... Tudo à volta da velha mesa de madeira de lei, pesadona, de idade não sabida nem imaginada - ô, família velha, meu sinhô! Sobre seu tampo sonoro, o ano todo, altas batucadas, nozes e avelãs, fantasias sendo cortadas pro carnaval, deveres de casa, desenhos e caricaturas, e sobretudo muita comida, bebida e alegria. Rolou que rolou a vida e, depois de mais de 40 anos da partida do Velho, a mesa veio parar no Lote, na casa do Velhote. E foi inaugurada festivamente, como convém e nós merecemos. Hoje então, ela, Sua Majestade A Mesa Primeira e Única, embora em outro lote, continua sendo uma realidade concreta e não uma lembrança nostálgica, um drummondiano retrato na parede. Porque família é pra isso. Pra estar junta. Sem interesses outros que não o do amor e da fraternidade. Como neste poema, lido, a voz do vate embargada de espuma e os olhos marejados de cerveja, no dia da inauguração, no mais recente dezembro: À MESA Dois metros de comprimento Por um metro de largura Com oitentinha de altura, Não é mesa: é um monumento. No seu tampo, o alimento Cozido, assado, em fritura; E em torno, muita fartura De bom humor e talento. À cabeceira, a Energia - Que acendeu nossa alegria E mantém a chama acesa - Ergue um brinde ao nosso afeto Vendo Seus filhos e netos De novo ao redor da Mesa. (Lote, 04.12.05, com as bênçãos de Xangô) Segunda-feira, Janeiro 09, 2006
CARIOQUÊS 2006 Todo mundo sabe que a fala popular é dinâmica. Mas a fala carioca, putz, vai ser dinâmica assim lá em Inhoaíba! Nosso querido amigo o saxofonista Humberto Araújo, com aquele ouvido de músico que benza Deus, saca legal essas mudanças. E até, quando quer, já escreve como se fala hoje nos subúrbios, bocadas e baixadas cariocas, principalmente pela rapaziada chapa-quente. Leiam-ouçam a cena que ele ouviu e transcreveu pra gente: ** "Um garoto de rua chegou pro malandro que tava "soltando" (sic) do 638 no ponto final em Mal. Hermes e mandou o arranjo: - Aí tííí, min dá 2 reau aí pa mi'a cumêa, tííí!?!? O malandro, de regata arrastão preta e vermelha, medalhão de prata e anelzão, com a maior cara de civil, respondeu: - Tem parada não, seqüela! Vaaaaza! - Pô, tííí, milhó tá pidino que robâno! - Cumé qui é, maluco? Mi robááá??!!! Olha o trabalho que tu vai min dá: Te matá, botá no porta-mala, daí vai sujá aquela merda toda de sangue, daí vô ter que limpá o bagulho todo, e ainda arrumá peneu pá dá microonda ni fragante!" (H.A.) Terça-feira, Janeiro 03, 2006
O ESTADÃO SABE DAS COISAS O jornal O Estado de São Paulo, o popular "Estadão", abriu seu caderno Cultura, em 2006, com uma tremenda matéria de capa sobre o Velhote do Lote. Realmente, não podia passar "em branco": nosso companheiro soltou foguete, correu atrás da flecha, assobiou, chupou cana... só faltou fazer chover em 2005. Foram 2 livros e 1/2, um montão de artigos, parcerias com Zeca e Dudu, gravação com Alcione, show com grande orquestra no BNDES e no Rival, 1 CD, 2 troféus, 1 comenda da pesada, 1 biografia... Só Carolina não viu. Quem quiser conferir a matéria, basta clicar nos links abaixo: 1a.página - texto Adriana Del Ré 2a.página - texto Adriana Del Ré texto Mauro Dias bibliografia discografia |
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