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Domingo, Outubro 30, 2005
UM BRINDE À VIDA: GUARANÁ FONSECA! Os ibêjis aqui do Lote (que tanto podem atender pelos nomes de Taiô e Kaindê, quanto de Olori e Oroniã ou, ainda, Ntala e Nsamba) freqüentam um balneário imaginário chamado Praia de Maracujá. Com o calor sufocante da última sexta-feira, eles lá se deliciavam com o também imaginário "Guaraná Fonseca". Foi aí que resolvemos chamar um imaginário repórter de um caderno de variedades, desses aí, para entrevistá-los. Afinal, por quê essa preferência por um refrigerante tão pouco fashion? Gravado o papo no nosso gravador Gelloso, de rolo, vai ele aqui reproduzido: ** REPÓRTER: E então? Como é essa coisa de Guaraná Fonseca? ELE: Fonseca é o único guaraná naturalmente supergaseificado. É medicinal, dá apetite, saúde, vigor... É alimento em forma líquida! ELA: Fonseca torna os fracos fortes. É refrigerante, tônico, reconstituinte e aperitivo. É o mais completo fortificante. REPÓRTER: Tem diet? ELE (DEBOCHADO): Não só "dai-te", como "recebei-te". ELA: Delicioso, agradável, revigorante, o Guaraná Fonseca é preferido a todos os congêneres e exigido por pessoas de bom gosto. É qualidade digna de confiança! REPÓRTER: Tem delivery? ELE (JÁ IRRITADO): Só de "lívere" e espontânea vontade... ELA: Por seu aroma e seu sabor delicioso, Fonseca é o melhor do Brasil e o preferido pelos apreciadores. Sua cor de âmbar pálido, comprova seu envelhecimento em tonéis de carvalho. REPÓRTER: Não é embalagem pet? ELE: "Pet" carvalho. Em homenagem à nossa madrinha. (RISOS) ELA: O Guaraná Fonseca proporciona ao organismo os elementos nutritivos que lhe dão vigor e bem estar: cálcio, carboidratos, ferro, fósforo, proteínas e vitaminas. E não admite confrontos. REPÓRTER: Deve cair bem com um "Bigmac's". ELE (P. DA VIDA): Só com big...urrilho. De fazer mingau. E tirar o cavaco do pau. ELA: O Guaraná Fonseca é o inimigo número 1 do calor. Bem gelado, possui o dom especial de tornar qualquer reunião mais amigável. Quando se está entre amigos, é um costume agradável tomar Guaraná Fonseca. REPÓRTER: No halloweeen, por exemplo!? OS DOIS (EM UNÌSSONO, REVOLTADÍSSIMOS COM A ALIENAÇÃO DO REPÓRTER): Halloween é o cacete !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Quinta-feira, Outubro 27, 2005
ROBERTO M. MOURA (1947 - 2005) Com a morte, ontem, quarta-feira 26 de outubro, do jornalista e teórico da Comunicação Roberto Múrcia Moura, o "Lote" e a Cultura brasileira perdem um grande aliado. Crítico musical, produtor e diretor de espetáculos, além de professor universitário, Moura escreveu livros fundamentais como Carnaval: Da Redentora à Praça do Apocalipse (Zahar, 1986); MPB: Caminhos da arte brasileira mais reconhecida no mundo (Vitale, 1998); e No Princípio era a Roda: um estudo sobre samba, partido-alto e outros pagodes (Rocco, 2004). Crítico ferrenho da dominação da cultura brasileira, notadamente de nossa música, pelos grandes conglomerados internacionais, Roberto M. Moura, deixou sua marca pelos vários jornais e revistas onde escreveu, em artigos sempre profundos e contundentes. Com seu nome muitas vezes confundido com o de outro grande lutador, o cineasta homônimo Roberto Moura (autor do ensaio Tia Ciata e a Pequena África no Rio de Janeiro), o nosso "Múrcia", colocando-se sempre contra a espoliação do autor e a expropriação do patrimônio cultural brasileiro, alinhou-se na vanguarda de nosso pensamento e de nossa luta. O "Lote", então, reverencia a memória deste grande brasileiro prematuramente desaparecido e envia seu abraço a Tereza Cristina, Paloma e Pablo, esposa e filhos do já saudoso amigo e companheiro. Quarta-feira, Outubro 26, 2005
RÉQUIEM PARA UMA ROSA NOSSA Há alguns anos, o Velhote aqui do Lote escrevia, com o parceiro Cláudio Jorge, um batuque, mais tarde gravado pelo grupo Batacotô, cujo refrão diz assim: "Esse negro são se enxerga / não conhece o seu lugar/ Esse negro não se enverga/ esse negro é de amargar" Pois a nota de hoje vem a propósito de uma mulher negra que "não conheceu o seu lugar". Nascida Rosa Louise McCauley Parks, em 1913, no Alabama, nossa Rosa tornou-se mundialmente conhecida quando, em 1955, num ônibus urbano, recusou-se a ceder seu assento a um homem branco, como determinava a lei de segregação racial vigente. Presa por essa atitude, desencadeou a reação da população negra, num boicote de mais de 1 ano ao serviço de ônibus, o qual, vitorioso, pôs fim ao apartheid nos transportes públicos nos EUA. Rosa Parks, monumento dos direitos civis dos negros em todo o mundo, faleceu na último dia 24 de outubro, Detroit, aos 92 anos de idade. (Fonte: Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana. São Paulo, Selo Negro, 2004) Quarta-feira, Outubro 19, 2005
NOVEMBRO, O LOTE VAI À LUTA: DIA 05 - sábado - 22h NEI LOPES palestra e lançamento do livro PARTIDO ALTO-SAMBA DE BAMBA Feira do Livro Porto Alegre-RS -------------------------------------------------------------------------------- DIA 06 - domingo - 17h NEI LOPES show PARTIDO ALTO-SAMBA DE BAMBA Santander Cultural Rua Sete de Setembro, 1028 - Centro - Porto Alegre-RS - (51) 3287-5940 -------------------------------------------------------------------------------- DIA 07 - 2a.feira - 21h NEI LOPES lançamento do livro PARTIDO ALTO-SAMBA DE BAMBA FEITIÇO MINEIRO - Clube do Samba 306 Norte - Brasília-DF - (61) 272-3032 R$ 15,00 -------------------------------------------------------------------------------- DIA 08 - 3a.feira NEI LOPES recebe a ORDEM DO MÉRITO CULTURAL Salão Nobre do Palácio do Planalto Terça-feira, Outubro 18, 2005
AS ARMAS E OS BARÕES Confesso que, diante de tantos bons argumentos pró e contra, estou que nem cego em tiroteio diante do plebiscito do próximo domingo. De um lado, vem aquela sensação de que tudo o que se faz, hoje, no Brasil, tem uma "armação" por trás. Como diz o meu amigo Marcus Vinícius, aqui, se a Meteorologia avisa que vai chover, a gente tem que ver primeiro se não é marketing do fabricante de guarda-chuvas. Ou do Vesúvio, digo eu que sou mais velho. De outro, vem o sentimento pacifista, de quem nunca nem viu direito uma arma de perto, pois não desfrutou da honra de servir a qualquer das Forças Armadas ou auxiliares. Aí, faço uma digressão pra citar uma boutade do grande Carlos Heitor Cony, se não me engano, que um dia, ao lhe perguntarem qual o episódio da História militar brasileira que mais apreciava, declarou curto e grosso: - Minha baixa do Exército! O caso, então, é que não sei como votar: se a favor do Charlton Heston, que depois de ser o bíblico Moisés no cinema, agora, é o porta-voz da indústria bélica de seu belicoso país; ou se ao lado desse nosso pessoal "urbano" que veste roupa branca pedindo Paz mas, na encolha, na night, nas "baladas" (palavra bobinha!), com aquele pretinho básico, dá a sua força ao brilho e ao incremento das ilusões à toa que sustentam a violência urbana, suburbana e rural. Então, me lembro de outra historinha, do Geraldo Careca, sobre a fusão que resultou no surgimento da escola de samba Unidos de Lucas, na década de 60. Diz ele que, depois de vencida a resistência dos velhos mais ranzinzas, foram consultar o mais ranzinza de todos os velhos da Velha Guarda. Aí, o tio, fundador da escola e da Ala dos Barões, mandou essa, fingindo concordar: - Tá ótimo! Tá tudo bem! Vamos fundir. Mas tem uma condição: não pode ser de um lado nem de outro da linha do trem. ** As escolas que mais tarde se fundiram, Capela e Aprendizes de Lucas, ficavam cada uma de um lado da via férrea da antiga Leopoldina. E as alas "dos Barões", que havia em várias escolas, deram lugar, mais tarde, a alas de nomes tipo "Delírio Tropical", "Sex Machine", "Top Gun", "Mortal Combat" etc. Quinta-feira, Outubro 13, 2005
DIA DA CRIANÇA SEM CAREQUINHA (O Globo, 13.06.05) Carequinha com pneumonia no CTI, em pleno Dia da Criança, é o mesmo que Beethoven ficar surdo; João do Pulo perder a perna; Jorge Goulart, a voz; Georgette Vidor perder os movimentos... E a lembrança do venerando artista me traz de volta o Circo Atlântico, no Irajá, onde nos anos 50, muitas vezes o vi atuar pessoalmente. No Irajá moram até hoje remanescentes da família Olimecha, do histórico circo. Principalmente a querida Janete Ceciliano, trapezista e craque da pelota, irmã do Oceano e prima do Gugu - o do teatro de revista. São nossos velhos amigos, que inclusive muito contribuiram para o histrionismo do nosso quintal. Poly e Tascado, nossa dupla infantil de palhaços nas domingueiras do Pau-Ferro (Poly hoje é coronel reformado e atende pelo cognome "Jorge Moreno") vieram daí, miniaturas que foram, em preto e branco, do "augusto" Carequinha e seu "clown" Fred Villar. A cadeira fantasma, a fantasia de Jacu, a tala de dar pancada, as sobras das tintas de maquilagem, foi Horácio Olimecha, o "Empadinha", que deu pra gente. E quantas vezes um de nós quase não se quebrou todo querendo imitar o Chocolate, que dava salto mortal com perna de pau e tudo?! No Circo Atlântico, meio herdeiro do Olimecha, tinha o Seu Pery, também de tradicional família circense, que depois virou o "Zumbi" da televisão. Tinha o capitão Adolfo, domador que chicoteava o coração das mocinhas locais. Tinha a Aparecida (Ah! Aparecida!). Tinha o Apaga-luz e o Bagulho, figuras marcantes de nossa infância sem consciência do racismo. E tinha o Carequinha, acima de tudo. Neste pós Dia da Criança, então, aqui vai a homenagem deste menino de 63 anos. Na esperança de que, já que o circo agora é outro, o eterno e bom Carequinha, e todos os outros artistas que um dia nos fizeram ser felizes um pouquinho, tenham saúde, se for possível, e muita Paz - pois essa, quando se instala de verdade no coração da gente, é pra sempre. E ninguém tasca. Sábado, Outubro 08, 2005
KITÁBU, A GRAÇA DO MUNDO Nosso "Kitábu, o Livro do Saber e do Espírito Negro-Africanos" acaba de entrar no forno da Editora SENAC-Rio. São cerca de 350 páginas mostrando como viviam nossos ancestrais bantos, sudaneses e nilóticos; como pensavam a respeito do ser e estar no mundo; e como o pensamento deles repercutiu na formação da religiosidade africana nas Américas, do vodu à umbanda, passando pelo candomblé, pelo rastafarianismo, pelo islamismo etc. Vejam, aí em cima, o projeto de capa. Ainda é projeto mas já é chique, não acham? Como diz um antigo samba do grande Luiz Carlos da Vila "eu não pretendo pra mim toda a graça do mundo; minha primeira lição foi saber dividir"... |
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