Sexta-feira, Setembro 30, 2005

CANAL FUTURA:
NEI LOPES FINALMENTE COM PATROCÍNIO


A série "Heróis de Todo Mundo", que integra o projeto "A Cor da Cultura", bancado pela Petrobras, está sendo exibida desde 28/09 (quarta-feira), às 16h25, no Canal Futura. Os programas buscam resgatar e valorizar a história e a cultura afro-brasileiras com destaques nos cenários cultural, histórico, político e científico do Brasil.

Os episódios apresentam biografias de negros que tiveram importante papel na história brasileira, sendo suas vidas encenadas por personalidades negras atuais. Alguns exemplos são Pixinguinha, por Tony Garrido; Luiz Gama, pelo ministro Joaquim Barbosa; Adhemar Ferreira da Silva, por Robson Caetano; Mario de Andrade, por Jards Macalé; Chiquinha Gonzaga, por Ilea Ferraz; Zumbi dos Palmares, por Martinho da Vila; e o velhote aqui do Lote, interpretando JOSÉ DO PATROCÍNIO - ou "Zé do Pato" para os íntimos.

"Heróis de Todo Mundo" tem 30 programas de dois minutos de duração, que serão exibidos diariamente, nos intervalos ao longo da programação, e com horário fixo às quartas-feiras, às 16h25, e aos sábados, às 21h25. A série será posteriormente exibida na TVE Rede Brasil.

O projeto A Cor da Cultura é uma iniciativa da Petrobras, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República - SEPPIR, do Centro Brasileiro de Informação e Documentação do Artista Negro (CIDAN), da TV Globo e da Fundação Roberto Marinho, por meio do Canal Futura. Os programas produzidos pelo projeto, inclusive o Heróis de Todo Mundo, integrarão kits educativos, que serão distribuídos para escolas públicas e disponibilizados para educadores.


Diz aí!




Diz aí!

Quarta-feira, Setembro 28, 2005


Cabo Dayr, Itália, junho 1945

Ê, IRAJÁ! O SAMBA JÁ NÃO É A ÚNICA COISA...

Em janeiro de 2003, com 85 anos de idade, partia para a outra dimensão nosso irmão Dayr, o "Noco", homem com "H", que nos deixou uma tremenda lição de vida.

Nossa primeira lembrança dele vem muito vaga, talvez de 1944, na forma de umas aterrorizantes perneiras de couro, parte de seu uniforme de cabo do 2º R.I., às vésperas de embarcar, de surpresa, do Irajá para a Itália, onde foi ajudar a tomar Monte Castelo. Puro e com gelo.

Depois foi a festança da Vitória. Acontecida após muita apreensão, tristeza e contrição de nossa mãe, diante da imagem sagrada da outra Mãe mulatinha, a Aparecida. Festa da vinda (com licença do Cartola), que nossa vaga memória guarda como o primeiro grande pagode no sempre festivo quintal - Ê, Irajá!

***

Vejam só as maninhas Quinha e Namir, mais o Zeca com 6 anos, enfeitando o quintal de verde-amarelo e antecipando o Ifá que hoje nos guia! Ouçam o saudoso trombone do mano Gimbo, fanfarra de todas as farras; o não menos violão do mano Ernesto, harmonia das harmonias; a cuíca do mano Lozinho, também saudosa; o cavaquinho do Dica, o pandeiro do Tonga e a picardia do Mavile, estes três hoje ainda na ativa, graças a Deus! Sintam o chope rolando nos barris de madeira, os muques bombando as bombas, a espuma no bigode do meu tio ... e a comida em quantidade tão industrial que chega a estragar, nesses tempos em que geladeira é coisa de bacana.

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Mais tarde, vimos Nosso Herói, sempre alegre e brincalhão, com sua não menos heróica Natalina - sobrinha da Tia Eulália de Além Paraíba - gerar filhos e filhas, "espada" que era, e ter que se virar pra levar o pão pra casinha de quarto e sala, sem banheiro, no fundo do nosso quintal. Operário metalúrgico da Casa da Moeda, sim, mas também lanterninha de cinema, vendedor de sorvete no Maraca, ajudante de carnavalesco no barracão da Mangueira, exímio ladrilheiro e colocador de azulejos - com aquelas mãos calejadas mas de artista, criadora de balões de todas as formas, até de elefante, comas bocas acesas nas quatro patas - ele ia à luta.

Ê, Irajá! Que homem, meu Deus! Capaz de suportar anos de imobilização por conta de uma doença reumática, talvez importada do gelo italiano, e sair dela, já quase setentão, para as peladas dominicais na quadra do Pau-Ferro. Capaz de dizer suas sacanagens espirituosas de manhã e à noite ir estudar e divulgar doutrina espírita em sua fraternidade kardecista.

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Pois os sete filhos e filhas desse homem admirável ¿ quase todos trilhando aquelas carreiras universitárias que nossa humilde condição permitiu - cresceram e tiveram filhos, nossos sobrinhos netos. Que hoje, como os jovens Júlio e Jader do Carmo Lopes, fazem coisas complicadas como "curso superior de administração de redes para Internet" ou "curso superior técnico em gestão da indústria de petróleo e gás".

Mas nada tão intricado como a que fez - Ê, Irajá! - a química Joyce Lopes de Andrade, 26 anos. Ela acaba de aprovar, com louvor, no Fundão, sua tese de mestrado intitulada "Peroxidases de Paecilomyces variotti e Sistemas Biomiméticos na Oxidação do Isossafrol".

Nós aqui do Lote, espertos que somos, sabemos que isso tem a ver com enzimas que catalisam a degradação de peróxidos e com a adaptação na qual um organismo possui características que o confundem com um organismo de outra espécie. Mas quem nos acaba de soprar a "cola", só de sacanagem, é o velho "Espada".

Feito isso, lá no Infinito, onde mora depois de cumprir sua trajetória fluorescente, fosforescente, argêntea, límpida; e de onde ilumina sua família e sua descendência, ele pega o clarinete e arrisca um choro catalisante, enzimático, daqueles bem oxigenados. Ê, Irajá!


Diz aí!

Segunda-feira, Setembro 26, 2005

PRISÃO ESPECIAL

Me grampearam

Sob a falsa acusação

De estar fazendo samba.

Como agravante,

Eu estava de blusão

Em cor verde-amarela.

De tanto tapa

Telefone e pescoção

Fiquei de perna bamba

Bola da vez,

Pra não dar uma de chinês,

Pulei pela janela.

(Quebrei clavícula e costela )

Agora quero

Através da MTV

Fazer minha defesa:

Meu instrumento

É esse monte de CD

Em cima aí da mesa:

É pop-rock, hardcore, drum and bass

Technopop, house, lounge, acid jazz

Sou totalmente dependente

Das majors multinacionais.

(Por isso é que eu sou bom rapaz )

REFRÃO, BIS:

Não sou sambista, não, meu senhor!

Eu tenho curso superior!

Comecei cantando em festival

Tenho direito a prisão especial!


Diz aí!

Segunda-feira, Setembro 19, 2005



Diz aí!

Domingo, Setembro 18, 2005

BANHO DE MAR À FANTASIA

Até a primeira metade dos anos 80, lembra O Globo em suas memórias de 80 anos, um grande evento do samba eram os "banhos de mar à fantasia". Em 82, participei de um, defendendo as sungas e maiôs dos Independentes do Morro do Pinto, ao lado da Sonia e com Neizinho já dando uns telecos no tamborim.

Era bom o banho, os blocos com aqueles nomes engraçados: Eles que Digam, Bafo do Bode, Fala Meu Louro, Coração das Meninas... Era demais! Assim como era interessante, também o Festival de Favelas, onde as "comunidades" trocavam rimas e acordes entre si, em sambas caprichados, valendo troféus e uma graninha.

Lendo a matéria de O Globo, fiquei imaginando como seria o "banho de mar" agora. Quem sabe a Riotur não faz renascer a festa? Quem sabe, no Posto Nove, num domingo ensolarado do próximo verão?

Estou até vendo a concentração, numa animação só. Olhem só a escalação, por ordem de desfile:

"Quebra-galho da Mangueira"; "Chucrute do Alemão"; "Angu da Mineira"; "Vaidade do Pavãozinho"; "Incidente de Antares"; "Dondon do Andaraí"; "Rabo do Macaco"; "Pavio do Fogueteiro"; "Divinos da Providência"; "Alvorada do Cantagalo"; "Granfinos do Fubá"; "Bye-Bye do Adeus"; "Falsidade do Juramento"; "Juventude da Coroa"...

Chego inclusive a ouvir, num samba, a homenagem a Edu Lobo e Elis Regina: "Ê, tem jangada no mar..."

Ia ser um bocado animado!


Diz aí!


EU, O SUJEITO DO DISCURSO

Vossa Excelência é o presidente desta casa.
Que tem quatro quartos, um cesto, dois terços
E um quinto dos infernos.
Esta casa é casa de marimbondo, casa da Mãe Joana,
Casa do caralho.
E o presidente preza os dentes
Com que morde e assopra.

Só pra gente entender como é esta casa,
Nela a privada é um ministério público
Que tem um pé na cozinha
Elevador de serviço para ladrões de classe média
E uma rocinha nos fundos.
Esses fundos são de uma pensão
Onde Vossa Excelência come de colher
E mama nas tetas do Erário
Eleitoral e gratuito.
E nesta casa o honorário
Passa na televisão
Aberta, escancarada, arreganhada,
Novelesca
E com um fausto fantástico.

Vossa Excelência é o presidente de desonra
Deste grêmio recreativo e escola de colas,
Cabulas, gazetas, trotes e diplomas falsos.
E esta casa já é da segunda época
Pois a primeira acabou
Naquela manhã de 24 de agosto
De um tempo que se amarrava político com lingüiça,
Em que as caravanas ladravam
E os cães passavam cantando
Primeira, segunda, terceira voz
No coro parlamentar.

Data vênia, esta é a casa
Em que vossa indecência
Casa com a presidência.

(Nei Lopes, set.2005)


Diz aí!

Terça-feira, Setembro 13, 2005



DEU NA FOLHA DE SÃO PAULO (10.09.05)

LIVROS

MÚSICA

Compositor atualiza obra de 1992 e amplia sua análise sobre o samba

Nei Lopes conta em livro a história oral do partido-alto

LUIZ FERNANDO VIANNA
DA SUCURSAL DO RIO

Quem se diverte com os sucessos de Zeca Pagodinho pode não saber, mas boa parte do que ele canta está assentada em uma tradição chamada partido-alto. O novo livro do escritor e compositor Nei Lopes explica isso para os não-iniciados no samba e satisfaz um anseio dos iniciados.

"Partido-Alto - Samba de Bamba", que está sendo lançado pela Pallas, é uma versão ampliada, atualizada e bem modificada de um livro de Lopes que a mesma editora publicou em 1992 e que está fora de catálogo: "O Negro no Rio de Janeiro e Sua Tradição Musical - Partido-Alto, Calango, Chula e Outras Cantorias".

"[No novo livro] Eu estendo a análise dos núcleos de expansão da tradição do partido-alto, notadamente a zona portuária do Rio. E atualizo o "Negro no Rio..." a partir, inclusive, de estudiosos estrangeiros, como o [norte-americano] Philip Galinsky, que defendeu uma alentada tese sobre "pagode" nos EUA, e o [colombiano] Alejandro Ulloa, que comparou as "fiestas de solar" na América hispânica com os pagodes de fundo de quintal", explica Lopes, 63.

Ele também colheu informações em duas novas entrevistas: com o bem-sucedido Dudu Nobre e com Tantinho da Mangueira, guardião da tradição verde-e-rosa de partido-alto, representada por nomes como Xangô, Zagaia e Padeirinho.

"O advento da modernidade na tradição do partido-alto parece efetivamente marcado por um nome: Osvaldo Vitalino de Oliveira, o Padeirinho", escreve Lopes em um dos trechos em que, como costuma fazer, restaura a importância de nomes do samba que acabaram esquecidos por não terem feito carreira comercial.

Nesse ponto, instala-se um dos problemas do partido-alto: como é uma corrente do samba marcada fundamentalmente pela improvisação -com um refrão funcionando como senha melódica e temática para que se criem versos na hora-, o que fazer para torná-la mais conhecida sem trair suas bases?

"Acho que a viabilidade comercial está exatamente em não ser improvisado. Veja os exemplos dos sambas iniciais [dos anos 60] do Martinho da Vila. São partidos estilizados ou sambas inspirados na tradição do partido-alto. Fizeram grande sucesso, como os do Zeca também fazem", explica Nei Lopes.

Ele explica assim -e em detalhes- como o partido-alto sobrevive hoje. Um samba de Zeca ou Martinho tem, freqüentemente, a estrutura básica do partido, com um refrão e "segundas partes", mas os versos, quando gravados, já não são mais improvisados.

"O partido-alto é bonito quando formalmente bem fincado na tradição, independentemente de ser ou não de improviso. Improviso, mesmo, é na cantoria nordestina, com aquelas regras todas, com aquele rigor formal e técnico impressionante. Partido-alto é mais brincadeira."

No livro, Lopes esmiuça as origens rurais (mineiras, baianas, paulistas) do partido-alto e sua presença nas zonas urbanas através dos portuários do Rio e de artistas como Clementina de Jesus e Candeia.
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Partido-Alto - Samba de Bamba
Autor: Nei Lopes
Editora: Pallas
Quanto: R$ 38 (264 págs.)


Diz aí!

Sexta-feira, Setembro 09, 2005

DE FANFARRAS E SUÍNGUE

A moda das fanfarras escolares que tomou conta da Zona Oeste e da Baixada, há uns quatro ou cinco 7 de setembro, parecia ser uma coisa saudável. A rapaziada lá, nas festas cívicas, embecada de veludos e penachos, soprando marchas militares nos metais, ribombando bombos e taróis e fazendo evoluções complicadas é bonito! É bonito! E o povão vibra.

Mas eis que de repente, um colégio de Santa Cruz resolve radicalizar: contrata um professor americano para transformar sua fanfarra numa "drum corp", que é como se chamam, lá na Matriz, as bandas desse tipo. E parece que a moda vai pegar.

Tocando desde marchas militares aos sucesso do momento, a fanfarra aqui da vizinhança do Lote, é bem mais pobrezinha mas já mistura dobrados com funk numa levada estranha. Faz bonito nos desfiles. Mas, sei não, parece que aí está um dos nascedouros de uma geração sem suíngue que pode vir por aí. Como um caminhão monobloco, botando nossa ginga e nosso balanço na parede.

Mas é póssível também que estejamos enganados. Tomara!


Diz aí!

Quinta-feira, Setembro 08, 2005

KATRINA, NEW ORLEANS, BUSH

Recebemos do Paulinho Albuquerque esta mensagem, que temos o dever de repassar para os amigos do Lote:

"A propósito do que você escreveu no seu blog, recebi um e-mail da Katrina após procurar saber por onde ela andava. É de cortar o coração. Outros amigos meus de New Orleans estão sem casa, sem água e, principalmente, sem nenhuma consideração do governo de Mr.Bush.
A cada dez cenas da tragédia que se abateu sobre New Orleans aparece UM branco. Vi na tv: a água que o governo manda aos "homeless" é atirada do helicóptero que se apressa em afastar-se imediatamente da horda de miseráveis (todos negros) para ser disputada entre eles. Exatamente como nas ações de caridade na África: joga-se de aviões fardos de alimentos que serão disputados na porrada pelos famintos. É mesmo a lei da selva: os mais fortes ganham, os mais fracos simplesmente morrem.
E o pior, Nei, é que se trata de uma tragédia anunciada. Todos sabiam o que ia acontecer e quando ia acontecer e o governo americano não fez absolutamente nada para evacuar a cidade, o que, certamente, salvaria milhares de vidas.
Se existe um lado bom nessa merda toda é o fato de os americanos poderem ver agora o que o governo deles costuma fazer no resto do mundo.
Abração,

Paulo"


Diz aí!

Terça-feira, Setembro 06, 2005

NEW ORLEANS, TUDO BEM

Poucos meses atrás, na esteira do nosso samba "Primo do Jazz", gravado pela Marrom em 2004, começamos a fazer um samba meio rhythm' blues em evocação a New Orleans.

É que essa cidade, para nós, tem (ou tinha), desde muito tempo, um valor simbólico imenso, pela grande música que lá se criou - de Louis Armstrong a Winton Marsalis, passando por Fats Domino e Professor Longhair -; pela conexão dos mardi gras indians com os blocos de índios daqui; pela afinidade do culto ao espírito do chefe Black Hawk com o do Caboclo Tupinambá; pela ligação do vodu da rainha Marie Laveau com a macumba de nossas velhas tias; pela similtude da Congo Square com a Praça Onze; pela parecença do jambalaya com a sopa de entulho da nossa tradição crioula, etc, etc, etc.

Essa New Orleans, que não chegamos a conhecer, tinha (ou tem, não sei) uma rádio comunitária a WWOZ, onde, há vários anos, a suave Katrina (!) Geenen, com sua voz de brisa morna, toca (ou tocava) um programa de música brasileira chamado "Tudo Bem".

Pois foi através desse programa, não me lembro bem como, que Katrina chegou a nós e aos nossos saudosos parceiros Maurício Tapajós e Tião Neto. E foi nesse contexto que o grande amigo Paulinho Albuquerque tornou-se um habituê da cidade, por ele visitada em todos os maios dos últimos anos.

Através do "Tudo Bem" e da Katrina, suave como brisa, chegou-nos também um dia John Aaron IV, um african-american adolescente, enlouquecido pelo Brasil (depois de ver, não sei como, um show de mulatas oba-oba) a ponto de nos escrever cartas inacreditáveis, valendo-se apenas de um dicionário inglês-português e de vagas informações em spaninglish. Amazing grace!
Neste momento, então, depois de um fim de semana entregue a mobilizantes obrigações religiosas, alçamos nosso pensamento na direção de todos esses amigos e de toda essa tragédia que mergulha nossa New Orleans num mar de desgraça, pondo a nu mais uma vez o odioso racismo da Matriz.

Mas Ifá é grande e tudo sabe. E, no ritmo desse blues que é a vida, estrada básica, os santos vão caminhando, Katrina! Tudo bem!

E o samba, quase concluído, vai ficar muito bom.


Diz aí!

Quinta-feira, Setembro 01, 2005

A DAMA MERCEDES BATISTA, BEM E ABRIGADA

Dona Mercedes Batista, 84 anos, bailarina e coreógrafa, discípula de Katherine Dunham e mãe do balé afro no Brasil, vai bem. E esta nota vem a propósito de notícias em contrário que circularam pela Internet.

A grande dama, aposentada como bailarina pelo Teatro Municipal e beneficiária de pensão legada pelo marido falecido, sofre as seqüelas de um AVC. Mas reage bem e continua morando em Santa Tereza, carinhosamente cuidada por uma empregada e duas ex-alunas. Além disso, o reconhecimento ao seu trabalho pioneiro está em curso. Um filme de média metragem e um livro sobre sua vida estão a caminho, segundo informação do cantor e amigo Carlos Negreiros. E, nós aqui do Lote, que chegamos, no início dos anos 60 ("apesar de não possuir grande beleza"), a dar uns passinhos malandreados sob sua severa batuta, enviamos o nosso mais caloroso abraço à Grande Dama do balé moderno, pioneira da codificação das danças de origem africana nos palcos brasileiros - num tempo em que "patrocínio" era apenas um sobrenome.


Diz aí!



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