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Terça-feira, Julho 26, 2005
XANGÔ, UMA TREMENDA HONRA Depois do "maravilhoso" - adjetivo que, na boca do time do Lugar Comum Futebol Clube, substituiu o "genial" e matou todos os outros qualificativos de excelência (formidável, fantástico, fenomenal etc.) - surge nas paradas uma nova frase feita. "É uma honra!", diz agora o time do LCFC a torto e a direito,. Pois eu hoje resolvi dar uma força pra essa equipe, dizendo que "foi uma honra" escrever as 30 laudas de texto que contextualizam e completam os depoimentos do livro "Xangô da Mangueira, recordações de um velho batuqueiro" que está sendo lançado esta semana. Sempre admirei muito "Seu Olivério". E aí aproveitei a oportunidade pra falar de cenários e coadjuvantes de sua admirável trajetória no samba e na vida. Na parte referente ao trabalho de Xangô na Riotur, por exemplo, falei do Terreirão do Samba e do Cazuza da Mangueira. E o gancho foi a citação de uma descrição de Hiram Araújo do antigo ambiente da concentração, no desfile principal. Assim: "Prossegue o texto contando o que de ordinário ocorria entre os componentes, na concentração. Mas não relata a obrigatória passagem, antes desse momento, pelas barracas armadas nas proximidades da pista, tanto na Candelária e na Presidente Vargas, quanto na Rio Branco (onde em 1962 pela primeira vez foram cobrados ingressos) e na avenida Presidente Antônio Carlos (por onde as escolas também passaram nos anos 70), para a cerveja, o tira-gosto, o namoro, o pagode, a confraternização ¿ esse, segundo boa parte dos sambistas veteranos, o melhor momento da festa. Com a ida da grande parada do samba para a Marquês de Sapucaí, o ponto de excelência desse momento passou a ser a "Barraca do Cazuza". "Adesman Lemos Souza, o "Mestre Cazuza da Mangueira" era componente da Ala dos Periquitos, a mais antiga da verde e rosa. Festeiro, devoto de São Jorge e figura extremamente simpática e comunicativa, fez de sua barraca - na verdade um enorme barracão, com mesa comprida e bancos de madeira - um local de encontro obrigatório, antes e principalmente depois do desfile. O autor destas linhas, inclusive, tem a grata lembrança de vários pagodes pós-desfiles, reunindo compositores de várias escolas, no famoso e acolhedor "estabelecimento" do velho Cazuza, cujo nome hoje, numa justa homenagem, é lembrado em um dos camarotes da confortável sede mangueirense. "A Barraca do Cazuza, com seus pagodes e suas atrações espontâneas, foi a semente do Terreirão do Samba, hoje quase um anexo do "sambódromo", na Presidente Vargas". ** No embalo dessa lembrança, recordo o carnaval de 1975 ("As Minas do Rei Salomão"), em que eu e uma turma de salgueirenses comemoramos na Barraca do Cazuza, antecipadamente, a vitória de nossas cores, que efetivamente se concretizou. Incentivados por "Sua Majestade, a Cerva, Primeira e Única", fizemos e cantamos um sambinha safado, que dizia assim (tirem as crianças da sala, por favor!): "Rei Salomão entubou Jorge de Lima/ Ferveu Zaquia Jorge / E botou na boina do Macunaíma, / Olha o Rei Salomão!" . Nessa letra, aqui transcrita eufemisticamente, é claro, lembrávamos os enredos adversários, de Mangueira, Império e Portela. Arroubos de juventude! As co-irmãs que me desculpem! E Xangô, a quem devo a honra do livro e da amizade, que me proteja! Sexta-feira, Julho 22, 2005
DOM QUIXOTE E XANGÔ BAIXAM EM DOIS CENTROS Nesta terça, dia 26, mais uma vez o couro come. O Velho do Lote estará, às 17 horas no CCBB, Teatro I, participando da leitura de trechos do Dom Quixote, em comemoração do aniversário do Cervantes (o do chope & sanduíches é o outro). Depois, às 21h estica-se até o Centro Cultural Carioca, para o lançamento do CD-Livro do grande Xangô da Mangueira - "Seu Olivério" pros mais chegados - cujo texto final leva a assinatura aqui do nosso estimado Velhote. Nesta terça, então, estamos meio iorubás, meio hispânicos - já que a Espanha agora é que manda, não é Cultura? Terça-feira, Julho 19, 2005
Diz
aí!
Quinta-feira, Julho 14, 2005
MESTRE ZUENIR, NÓS E SHAKESPEARE NO "PAGODE" LITERÁRIO Chega-nos, através do Compadre Celso Pavão, informação sobre a referência ao nosso nome em um livro ("Minhas histórias dos outros") do grande jornalista Zuenir Ventura, o qual ainda não tive a ventura de conhecer pessoalmente. Ele fala de um "pagode" inusitado de que participamos, num palacete cheio de livros, na encosta do Corcovado, ali pelos lados do Humaitá, nos anos 80. Escreveu Mestre Zu: "Celso Cunha, de quem eu, ainda estudante, seria assistente na cadeira de Língua Portuguesa do curso de jornalismo da própria FNFi, era tudo que o saber universitário conhecia dele no Brasil e em Portugal - grande medievalista, extraordinário filólogo, doutor em cancioneiros medievais - mas também um boêmio que gostava de trocar o dia pela noite em alegres libações etílicas. Amigo de compositores populares, foi ele quem intercedeu junto ao Itamaraty para que Ataulfo Alves e suas pastoras se apresentassem pela primeira vez na Europa. Quando em 1982 completou 65 anos, um grupo de sambistas liderados por Wilson Moreira e Nei Lopes organizou "O pagode do Celso" em sua casa. Foi o melhor presente que recebeu. Ao ouvir Nei cantar o samba que dizia"Ainda é madrugada / Deixa Clarear / Deixa o sol vir bordar os cabelos da aurora", Celso não conteve: "Meus filhos, isso aí é a cena de balcão de Shakespeare" ** O fato é que - Mestre Zu não sabe - a letra foi escrita, mesmo, à vera, em cima da famosa "cena do balcão" do velho Shakespeare, a qual, de tão manjada, já foi encenada até por Oscarito e Grande Otelo numa chanchada da Atlântida. E o samba, "Deixa Clarear", modéstia à parte muito bonito, foi gravado pela saudosa Clara Nunes. Quanto ao "pagode", armado pelo professor João Baptista Vargens, biógrafo do Candeia, tinha acepipes, vinhos finos e até "libreto", para a platéia de professores de Literatura acompanhar as letras incrementadas dos dois sambistas, Portela e Salgueiro botando pra jambrar. Quarta-feira, Julho 13, 2005
A PRESENÇA AFRICANA NA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA Texto publicado na Revista Espaço Acadêmico. Leia aqui.
MALUNGO POPOFF DESENGOMA NA LÍNGUA DO CONGO Meses atrás, o grande músico mineiro Yuri Popoff nos pediu pra botar letras em dois temas que ele compôs, baseado na tradição congadeira da qual é amante e estudioso. Com o maior prazer, cumprimos a tarefa e, mais tarde, ainda escrevemos uma pequena apresentação para o disco. Chama-se "Lua no Céu Congadeiro" o CD. E acaba de merecer do Hugo Sukman elogios assim, vejam só: "De uma modernidade assustadora, de tirar o ouvinte do prumo (...) Popoff incorpora ao ritmo da marujada os procedimentos harmônicos mais modernos da música brasileira". E mais: "A novidade é que Popoff não entra nessa como etnólogo nem com qualquer intenção soporífera de resgatar música de raiz. Ele entra, sim, qual um compositor modernista, em busca de material emocional e musical para inspirar sua própria música". Congada, todo mundo aqui do Lote tá careca de saber o que é. E quem não se lembra, certamente vai consultar a "Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana" - a mãe dos bambas. Pois saibam quantos este CD ouvirem que o Velho aqui ficou muito feliz em dele participar, com as letras de "Marinheiro Chora" e "Lua no Céu Congadeiro", que dá título ao CD, canções que o Sukman, nosso amigo, diz que são "lindas". Trata-se de mais um disco desses que, infelizmente, a gente vai ter que ralar pra achar. Mas as "5 estrelas" (ou quadradinhos) da seção Discolândia de O Globo (12.07.05) já botaram mais uma gota de prazer no coquetel de felicidade que o conjunto da obra deste Velho sambista irajaense (às vezes emepebê-afro, às vezes afro-cubano e até congadeiro) vem folgadamente experimentando. De leve, como dizia o Ibrahim. Terça-feira, Julho 05, 2005
DR. GARCEZ E O SAMBISTA LARANJA Uma História Exemplar Há exatos 2 anos, eu e o parceiro Wilson Moreira levamos um susto. É que na importante coletânea "A música brasileira deste século por seus autores e intérpretes", publicada pelo SESC-São Paulo, o depoimento em livro e o CD que me têm como focalizado estampavam, na autoria do conhecido samba "Gotas de Veneno", como autor principal, um certo "Juan Carlos" - do qual, como ninguém até agora soube dizer quem é, pode até suspeitar-se de um "laranja". A serviço ninguém sabe de quem. Na época, procurando explicação, soubemos que assim fora informado ao SESC pela cessionária dos direitos sobre o samba (lançado na década de 1970), uma editora pertencente ao poderoso conglomerado Warner. Buscando a razão da informação indevida, nada nos foi esclarecido. Pensamos então na Justiça. Mas um conhecido colega da música nos desanimou: multinacional, poder econômico, sambistas... Qual? É aí que entra na história o Dr. José Maria R. Garcez, velho amigo. Contrariando a idéia estabelecida de que com multinacional não se briga, ele e sua jovem e brilhante equipe, depois de tentarem acordo, sem sucesso, ingressaram em Juizo com uma ação de reparação por danos morais. Que agora ganhamos, em primeira instância, na 49ª Vara Cível daqui do Rio, conforme noticiado na coluna "Gente Boa" de O Globo, semana passada. É claro que ainda cabe recurso etc etc etc. Mas já dá pra se tirar uma lição que é a seguinte: Ante uma boa causa, um ótimo advogado e um juiz isento, não há poder econômico que resista. E quem quiser conferir, os telefones de JMGARCEZ ADVOGADOS são (21) 2283.5183 - 2263.3643. Segunda-feira, Julho 04, 2005
O GATO (historinha erótico-infantil) - Vem cá, benzinho...Cadê a riqueza do teu subsolo? Me mostra, vai! - O Gato comeu. - E a tua biodiversidade? Deixa eu ver, anda! Um pouquinho só! - O Gato patenteou. - Mas resta a tua Cultura, não é? - Tá aqui, ó! - Gulp! Poxa! Que Culturão, hein? Dá pra mim? - Não! O Ministério me aconselhou a flexibilizar e fazê-la circular livremente! - Pra quê? - Pro Gato comer, ué!? |
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