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Sexta-feira, Abril 29, 2005
ESTRATÉGIA CORPORATION & SON Esta um amigo do Lote entreouviu num restaurante chiquézimo de um bairro não menos bacaninha do West End carioca, entre um senhor de sotaque estrangeiro e um jovem mais ou menos: - Ascolta-mi, Bambino! Primeiro a gente instiga eles a fechar a Ordem do Músicos e depois o Sindicato. Aí, damos força pras bandas de garage, pro funk da favela, pro punk da periferia - mas não deixa eles saírem de lá, não, que lá é que é o lugar deles. Feito isso, a gente explode a Escola Nacional de Música, a da UNI-Rio, o Villa-Lobos... e mata de desgosto todos os mestres de banda, chorões, poetas e músicos de verdade. Então, a gente pega o que restou e diz que Direito Autoral é um atraso e que música é igual a passarinho, de quem pegar primeiro... Aí, pronto! É tudo com nós mesmos, Bambino! - That's all right, Daddy! Pela internet... ** Nosso amigo diz que ouviu isso. Mas nós, sinceramente, achamos que ele está inventando. Quinta-feira, Abril 21, 2005
BENTO? QUE BENTO É O PAPA? Na verdade, não tenho nada com isso pois o chefe da minha "Igreja", que atualmente não sei quem é, vive lá em Ilê- Ifé e não tem muito como aglutinar seus não sei quantos possíveis súditos espalhados pela Diáspora. Mas, ouvindo esse papo aí de que o Papa possui passado político pesado; que é pau-puro, papão e papudo (audácia do Boff!), não posso permitir perjúrios. Por favor, parem de apoquentar o pobre Pontífice! Preservem sua paz! Poupem-no! E é em meio a esses pensamentos na lingua do "p", depois do quarto copo de brahma, que vejo a fumacinha cinzenta sair da chaminé do Lote. Aí, pergunto ao filho, que é metido a engraçadinho, como todo cara que faz churrasco: - Temos maminha de alcatra, filho? No que ele responde, na brasa: - Habemus pá, Pai... Segunda-feira, Abril 18, 2005
PRESENÇA AFRICANA NA MÚSICA DO BRASIL A elegante revista ArtCultura, do Instituto de História da Universidade Federal de Uberlândia, acaba de publicar, belamente paginado e ilustrado, um texto do Velhote aqui do Lote sobre o título em epígrafe. Trata-se de um painel histórico e analítico da presença do Continente Negro na música popular brasileira, desde o chamado "folclore" , passando pelos sambas-enredo, chegando até a moderna cultura de massas e à desafricanização que o contexto "pop" vem impondo. O endereço da revista na internet é www.artcultura.inhis.ufu.br. E o e-mail é artcultura@inhis.ufu.br. A "ÉPOCA" ME DISSE Na contramão das conquistas do movimento negro, entre as quais podemos incluir o recente episódio envolvendo o craque alcunhado Grafite e até mesmo as polêmicas declarações do presidente Lula na África, a Rede Globo começa, esta semana, a prestar um desserviço, no nosso modesto entender, à luta anti-racista no Brasil. É que, com a imbatível competência que caracteriza suas produções e com o incrível poder de moldar comportamentos de que dispõe, seu núcleo de teledramaturgia resolveu brincar com um drama terrível, que ainda aflige boa parte da população negra: a não aceitação de sua condição étnica e de sua aparência, dentro de uma sociedade dominada por padrões comportamentais e estéticos centrados nas antigas metrópoles coloniais européias e na sociedade WASP (White, Anglo-Saxon and Protestant) dos Estados Unidos. Esse "endo-racismo" e essa autonegação configuram, no nosso modesto entender, uma patologia de ordem psicossocial. E brincar com isso é o mesmo que achar engraçado o alcoolismo, a narco-dependência e outras tragédias que assolam nosso tempo. Pois a Rede Globo, na linha da comédia escrachada, estréia esta semana, no horário das 7, a telenovela "A Lua me Disse". Nela, segundo a revista Época, as personagens Anastácia (alusão evidente à "santa negra de olhos azuis") e Jurema (a cabocla da Umbanda?) abominam sua origem, alisam e clareiam os cabelos e, à noite, usam pregadores de roupa no nariz, com a intenção de afilá-los. Logo no início da novela, segundo a revista, Anastácia perde o emprego numa sapataria por se recusar a atender um cliente negro sob o argumento de que "não se abaixa para preto". Muito triste e preocupante isso tudo! E queiram nossos poderosos Orixás que, consoante outros hábitos que a Globo já disseminou, a gente não veja se multiplicarem, daqui a pouco, em nosso meio, as Anastácias e Juremas. BAIXARIAS NA BAIXADA Felizmente, entretanto, existe a Tamara. Trata-se de uma jovenzinha negra, de 17 anos que toca violão de sete cordas como gente grande. Eu a conhecei neste domingo, na escola de música da Associação do Movimento Compositores da Baixada, em Vilar dos Teles. Lá, o companheiro Bernard Von Der Weid lidera um bem sucedido movimento de integração comunitária e sensibilização pela música. Música brasileira de verdade, samba e choro dos melhores. E lá brilha a Tamara, no brasileiríssimo instrumento dignificado e celebrizado por Dino e Rafael Rabello. Fazendo altas "baixarias". Mas no bom e musical sentido, é claro. Quinta-feira, Abril 14, 2005
FRASES DA SEMANA "Na África, toda nação é tribo e todo idioma é dialeto" (William Blogger da Silva, correspondente internacional) "Meus urologistas, eu os escolho a dedo" (Josial Natanael, vereador da Baixada, sobre a polêmica questão do exame de próstata) "Espero que presida o vaticano como uma grande gravadora multinacional; que troque o papamóvel por uma Pajero; que lime Bach e Haendell e dê uma força pra bandas tipo Paralamas e Kid Abelha; que troque o vinho e o pão por coca-cola e big-mac's; que substitua o latim pelo ingrês; que seja menos papa e mais pop, porra!" (Arnaldo Reis, roqueiro e intelectual, perguntado sobre o que espera do novo Papa) Quarta-feira, Abril 13, 2005
O LOTE RECOMENDA PADEIRINHO DA MANGUEIRA RETRATO SINCOPADO DE UM ARTISTA Franco Paulino Prefácio de Nei Lopes "Meu nome é Oswaldo Vitalino de Oliveira, sou compositor da escola de samba Estação Primeira". Assim começa a autobiografia que o Padeirinho da Mangueira escreveu e entregou ao jornalista Franco Paulino, para que ajudasse a publicá-la em forma de livro. Por diversos motivos, "As Páginas de Minha Vida", nome que o sambista deu a obra, nunca chegou a ser publicado. Mas temos aqui um livro que, se não substitui o de Padeirinho, certamente cumpre com êxito a função de apresentar ao público a vida e a obra deste sambista. Mestre do samba sincopado e grande partideiro, membro da Ala dos Compositores da Mangueira, fez mais de trezentos sambas, gravados por intérpretes como Jamelão, Aracy de Almeida, Nara Leão, Chico Buarque e Paulinho da Viola. Padeirinho da Mangueira apresenta-nos diversos aspectos da vida de seu protagonista: a dura infância, sua intensa relação com o samba desde os primeiros contatos até os maiores sucessos, as conseqüências do alcoolismo e uma série de curiosidades de sua vida, além de episódios engraçados que viveu com os companheiros pelas biroscas e tendinhas do morro. Amante da boemia, Franco Paulino acompanhou de perto a carreira de Padeirinho. É jornalista, publicitário e crítico de música. Hedra Editora - 2005 - 216 páginas - R$ 26,00 Livraria Folha Seca Rua do Ouvidor, 37 - (21) 2507-7175 2224-4159 ASSIM FALOU ROBERTO M. MOURA "Partido ao cubo" ao vivo Poeta e intelectual, o que mais surpreende em Nei Lopes, nesse seu "Partido ao cubo", espetáculo que acaba de encerrar carreira no Rio e aguarda os inevitáveis convites para viajar alhures, é sua sofisticada estrutura musical. Estrutura essa que se justifica diante do próprio projeto, que intenta aproximar os universos sonoros de Brasil e Cuba, a partir da negritude que, indiscutivelmente, está na raiz de um e de outro. Com os arranjos de Ruy Quaresma e Humberto Araújo e o reforço vocal de alto luxo de Fátima Guedes, Lucinha Lins, Nilze Carvalho e Camila Costa (em que outro espetáculo que você se lembre, leitor, o artista principal esteve tão bem secundado?), Nei tem atrás de si uma formação instrumental capaz de se desempenhar com igual proficiência nos mais variados molhos do samba e em muitas salsas, merengues y otras latinidads, como se fuera la propia Sonora Matancera. Estão lá, além dos nomes já citados, Tereza Quaresma (voz, flauta, flautim), Altair Martins (trompete e flugelhorn), Darcy da Cruz (trompete e flugelhorn), Geraldo Costa (trombone), Itamar Assiére (piano elétrico), Zé Luiz Maia (contrabaixo), Jurim Moteira (bateria), Ovídio Brito (pandeiro, tamborim e cuíca), Ubirani (repique de mão e caixinha), Fabiano Salek (congas, pandeiro, cuíca e tamborim) e Naife Simões (congas, timbales, tamborim e reco-reco). Enfim, está no palco quase todo o povo que já estava no disco. Mas se o disco, comentado aqui, é muito bom, o show é ainda superior - porque Nei tem a verve do palestrante sempre à vontade, de modo que, entre uma música e outra, vem um toque, uma elucidação ou o esclarecimento de um significado escondido. Diversão e cultura. (in Tribuna On Line, 12.04.05) Segunda-feira, Abril 04, 2005
IRAJÁ, QUEM DIRIA, ACABOU EM MUSICAL O serviço de divulgação do Lote informa: Está em cartaz, até 27 de abril, às 3as. e 4as. feiras, às 20 horas, no Teatro Miguel Fallabela, no Norteshopping, o musical "É Isso Aí, Irajá", de Nei Lopes e Ruy Quaresma. O espetáculo, dirigido por Ribamar Ribeiro e levado ao palco pela Cia. de Teatro e Música Galpão das Artes, é fruto de trabalho realizado no ano passado sob os auspícios do SENAC-Rio. Vamolá!
PARTIDO AO CUBO, O ESPETÁCULO Chego em casa, cansado da lida, e leio a mensagem abaixo, que agora divido com os visitantes do Lote. Aí, descanso e sonho com os orixás, benfazejos e protetores. Igboru! "Fala , Nei !! "Sábado tive o grande prazer de vê-lo no Rival fazendo uma corajosa e linda ponte entre Irajá e Cuba . Parabéns pela escolha dos músicos , das "pastoras" e a extraordinária regência e arranjos do Ruy Quaresma . "Ousadia , casada com respeito à cultura brasileira , é uma característica cada vez mais rarefeita em nossa música atual e você conseguiu fazer um espetáculo descontráido mas extremamente elaborado musicalmente . Em vários momentos literalmente babei ao apreciar a orquestração tão bem arquitetada . A mescla de ritmos vem sendo desde a década de 90 uma marca de nossa música , mas entre nós , a mistura quase sempre peca pela pouco conhecimento das referências utilizadas , misturar tornou-se moda , a prática mecanizada se sobrepos ao prévio e necessário aprofundamento . Os DJs introduziram maciçamente a música eletrônica e o rap em nossa música a forceps , assistimos a misturas insossas , de qualidade bastante questionável . Misturar ritmos não é problema , mas exige conhecimento dos códigos a serem utilizados , fico feliz ao ver que artistas como você logram ao promover uma mistura qualitativa , pois ela é necessária também à fruição e a dinâmica de uma cultura . Desculpe-me pelo desabafo , mas de vez em quando precisamos dele !! "Obrigado pela noite e pelas reflexões que ela produziu em mim . "Um abraço afetuoso , Marco Aurélio . OBS : O corôa está mandando muito bem no canto !!" |
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