meu lote


Segunda-feira, Dezembro 27, 2004

Nesta terça-feira, 28
PARTIDO AO CUBO NO RIVAL


Olha aí, gente boa! Don López y su orquesta típica estarão nesta 3a. feira no Teatro Rival, botando pra quebrar com seu "PARTIDO AO CUBO". Agora, vai dar pra botar aquele porrilhão de músicos tocando de verdade, sem medo de acordar a Praça Tiradentes (como foi no C.C. Carioca). E podendo rebolar à vontade, o que é fundamental.Não percam! O "coroa da Diáspora" tá que tá!

Diz aí!


A ENCICLOPÉDIA AGRADANDO

Meua amigo Artur da Távola, em sua coluna de O Dia, em 21.12, recomendou a nossa Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana como um bom presente de Natal. Agradeci a dica e ele agora me responde assim:

"Nei. O fôlego, a pesquisa e a seleção de verbetes de sua Enciclopédia é trabalho único e de alto valor Não lhe fiz qualquer gentileza. E o digo por haver adotado uma atitude: a cada dia eu leio três verbetes novos. E quando são pequenos leio mais de dez. Falei com segurança.
Parabéns, mesmo.
Fraternalmente
Artur da Távola"

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Isso é bom demais, não é mesmo?

Diz aí!

Segunda-feira, Dezembro 20, 2004



SE VOCÊ QUER SER MEU AMIGO...

Se você quer ser ou continuar a ser meu amigo em 2005, por favor e se possível tome as seguintes providências:

1 - Me diga se é verdade que existe uma música "jovem" e outra "velha". E que jovem é só aquela produzida a partir do eixo anglo-saxônico ou com o aval desse eixo.

2 - Me explique porque crianças das escolas públicas estão concluindo, hoje, o antigo curso primário sem saber ler nem escrever.

3 - Me veja se o termo "banda" (do inglês band), com que se denomina hoje qualquer grupo de música pop, não seria melhor traduzido como "bando", já que "banda" é tradicionalmente um grupo musical à base de metais.

4 - Me esclareça porque o samba continua a ser visto apenas como um "ritmo" enquanto o rock é "atitude" e o tropicalismo é "movimento".

5 - Me conte porque telenovela tem que ter trilha sonora internacional.

6 - Me esclareça porque as iniciativas em prol da cidadania dos excluídos tem sempre o hip-hop como pano de fundo.

7 - Me faça entender porque o olhar do cinema brasileiro sobre os afrodescendentes optou pela miséria das favelas.

8 - Me ensine se são as editoras grandes que fazem os escritores mais vendidos e premiados; ou se são os grandes escritores que fazem as grandes editoras.

9 - Me responda porque a televisão se posiciona contra a violência urbana e continua programando aulas de brabeza em coisas como "Tela Quente", "Temperatura Máxima", "Linha Direta" etc.

10 - Me fale porque tudo o que é bom, hoje, é "maravilhoso"; toda programação de boate é "balada"; e todo grupo de pessoas é uma "galera".

11 - Me oriente sobre como usar direito o boné, pois eu ainda uso com a pala pra frente, protegendo os olhos da claridade.

12 - Me diga se eu estou ficando velho demais pra compreender que é assim mesmo, que a gente tem mais é que botar a viola no saco; e se eu estou errado iniciando períodos com pronome oblíquo.

Diz aí!


A PRETINHA DO CONTRABAIXO - SUITE BEM SUSTENIDA

A pretinha do contrabaixo, objeto de nosso comentário dias atrás, tem nome. Chama-se Patrícia Silva, é mineira e acaba de ganhar, ela e mais dois jovens músicos, a bolsa de estudos do programa "Furnas, Geração Musical", destacando-se entre mais de 300 candidatos de todo o Brasil.

Bacana, Patrícia! Bacana, Furnas! Chega de "inclusão" de araque, né mesmo?

Diz aí!

Sexta-feira, Dezembro 17, 2004



SEU ROQUE E DONA INAH

Realmente, a grande música popular do Brasil está nos selos independentes - os do bem, claro! E, aí, eu dou uma dica de Natal.

Eu, se fosse você, visitante do Meu Lote, saía correndo por aí, pelas livrarias onde se toma capuccino e se fuma cigars (que nos lojões não tem mesmo!) pra comprar vários exemplares e presentear o Brasil com os CDs de DONA INAH (CPC-UMES) e ROQUE FERREIRA (Acari Records).

É samba de verdade, a mulata paulistana, do alto dos seus 69 anos de idade, mandando ver, numa assombrosa mistura de Dalva de Oliveira com Isaurinha Garcia. E o coroinha baiano - que muita gente pensava que era só aqueles sucessos que a gente conhece, mas não é - vai fundo nos sambas-de-roda do Recôncavo Baiano, revisitando-os e criando sobre eles de maneira simples e magistral.

Ainda bem que ganhei de presente, do CPC e da Acari. Porque eu moro na roça, Iaiá; e por aqui o que rola mesmo é funk bala-perdida e baba gospel...

Diz aí!

Segunda-feira, Dezembro 13, 2004

GLÓRIA MARIA: ACABOU O MISTÉRIO

A querida jornalista Glória Maria, tão ciosa de esconder sua idade, acaba de entregar a rapadura. Em reportagem sobre o não menos glorioso Cacique de Ramos no caderno Ela de O Globo, no sábado 11, ela conta que saiu no bloco aos 15 anos. E o samba dizia: "Querem me derrubar / Ai, meu Deus o que será? / Tenho arco e flecha / Mas em ninguém vou atirar".

Alô, Bira Presidente! Alô, Ubirani! Alô, Sereno! Alô, Tribo dos Aimorés!!! Agora é serio! Acabou o mistério! Chegou a hora! De que ano é esse sambaaaaaaaa ?????

Diz aí!




EU E ELE

Da mesma forma que João Nogueira era sempre confundido com o Luiz Airão, durante muito tempo teve gente achando que eu era o grande Elton Medeiros. Embora a alegada semelhança muito me honrasse, confesso que achava que isso já tivesse acabado mas esta semana, gravando o programa "Verdade" na TVE, meu amigo Fernando Pamplona lê a seguinte pergunta a mim dirigida por um músico do segmento pop:

"- Nei Lopes, você que foi um dos maiores parceiros do Zé Kéti; que conviveu com ele tantos anos, patati patata, conte a verdade: O Zé Kéti foi mesmo autor de "Máscara Negra"?"

Foi aí que eu me lembrei do Zé no dia em que, já no finalzinho da trajetória, ao receber uma medalha na Assembléia Legislativa, assomou a tribuna e em vez de discursar, cantou: - "Quanto riso, oh, quanta alegria..."

Diz aí!


A PRETINHA DO CONTRABAIXO

Vejo em O Globo, sexta 10 e sábado 11, três anúncios. No primeiro, o jornal estampa as fotos dos indicados ao premio "Faz Diferença", que vai laurear personalidades de diversas áreas que mais se destacaram ao longo de 2004 nas páginas do jornal. São 42 pessoas, entre elas, um escritor indígena. Mas nenhuma preta ou mulata.

No segundo, estão os 73 arquitetos e chefes de cozinha, de ambos os sexos, participantes de um encontro de artes, gastronomia e decoração. Nenhum preto ou mulato.

No terceiro, anúncio de lançamento de mais um shopping bacaninha na Barra, cerca de 105 pessoas, artistas, empresários e demais envolvidos no lançamento. Nenhuma fenotipicamente (gostaram?) afro-descendente.

Ah, sim! Agora é um anúncio do importante e oportuno programa "Furnas Geração Musical", de incentivo a jovens músicos eruditos. 21 instrumentistas. Um mulatinho e... Ó, Gloria! Ó, Maria! ... uma pretinha bonitinha, de oclinhos, empunhando um rabecão, um tremendo contrabaixo, muito maior que ela.

Será que Furnas paga o carreto ou a virtuose tem que se virar pra carregar o difícil e incômodo instrumento?

Diz aí!

Quinta-feira, Dezembro 09, 2004

FAZER O QUÊ?

A linguagem do povo carioca e dos arredores, ao longo dos anos, tem criado palavras, frases e modos de dizer, sem dúvida, definitivos em sua expressividade. Ou o leitor conhece expressões recentes mais exatas, pra comunicarem o que pretendem, do que a desdenhosa "é ruim, hein!", sempre acompanhada do competente muxoxo; ou a exclamativa "brincadeira!", pronunciada sempre com expressão de incredulidade.

Ouço, agora, nos ônibus dos subúrbios e da Baixada, nos trens da Central e nas lancinantes reportagens sobre o violento cotidiano dos despossuídos, uma outra frase, definitiva em sua confissão de impotência diante do grande descalabro em que se transformou este país: "Fazer o quê ?".

Pois é... É isso! E é então que ligo o radinho, corro o dial, AM pra lá FM pra cá, e só consigo sintonizar emissoras evangélicas, algumas travestindo de pop sofisticado suas mensagens de conversão dos infiéis. Fazer o quê?

Abro um jornal, vejo anunciado um show pela cidadania e contra a exclusão. E vejo que a trilha sonora é aquela das multis que nos excluem, nos descidadanizam e desnacionalizam, impondo-nos seus tênis, seus bonés de beisebol inexplicavelmente com as palas pra trás (a pala não foi feita pra proteger a visão?), suas camisetas cheias de propaganda naquela língua que só os não excluídos entendem . Fazer o quê?

Abro outro e vejo colunas, colunas e mais colunas "sociais", falando das festas dos bacanas, e "artistas", dos prêmios literários que na verdade são jabás das editoras, que mandam nos suplementos literários; dos prêmios de música que na realidade são jabás das gravadoras. E vejo, é claro, nas páginas de política, cpís, cpis, cpis que a gente sabe que não vão dar em nada porque afinal o corrupto tem curso superior e vai no máximo amargar uma prisãozinha domiciliar.Fazer o quê?

Ligo a tevê no canal hegemônico e vejo, de raspão, mais uma tela quente, mais uma temperatura máxima, mais uma linha direta. E constato que é aí que a vagabundagem faz vestibular, se forma, posgradua e especializa nas técnicas cada mais sofisticadas do terror, da expropriação, da distribuição de renda ao seu modo. Fazer o quê?

Diz aí!


SPIRITUAL
(pelos dias de Oxum e Oyá)

Óooh, prados verdes
Por onde meus olhos
Passeiam, repousam:
Óooxóssi!

Óooh, águas serenas
Onde meu corpo cansado
Se banha, refresca:
Oooxum!

Óooh, trilhos, caminhos
De ferro, de pedras
Por onde vou indo:
Óoogum!

Aaah, céu, sol, sons
Me envolvendo
Impulsionando
Acelerando
Ao Infinito:
Aaagô!!!

Diz aí!

Sábado, Dezembro 04, 2004



CIDADÃO OLODUM 2005

O coroa aqui acaba de ser agraciado com esta honraria que vai ser concedida no fim de janeiro, em Salvador.

Dias 29 e 30 de janeiro

Festival de Música e Artes Olodum - FEMADUM. Largo do Pelourinho. 19h.
Troféu Ujaam 2005 - Cidadão Olodum 2005 - Nei Lopes

Diz aí!

Quinta-feira, Dezembro 02, 2004

DIA NACIONAL DO SAMBA

"O Samba nunca foi santo
Mesmo na Festa da Penha.
Lá ele fez muita lenha,
Fez lambança e alaúza.
O traje que o samba usa
É camisa de onze varas.
E quando ele vestiu saia
Foi pra esconder a navalha.
Que o samba não tem duas caras
Nem cara de tacho;
O samba não foge da raia
Ele sempre foi macho"

(Maurício Tapajós e Nei Lopes)

Diz aí!

Quarta-feira, Dezembro 01, 2004



DEU NO PORTAL TERRA

Alcione canta o samba-jazz de Nei Lopes em SP

Alcione apresentou recentemente em São Paulo, no palco do Tom Brasil - Nações Unidas, seu mais novo álbum, Faz uma Loucura por Mim , com uma seleção de músicas inéditas - entre elas a ótima Primo do Jazz , de Nei Lopes e Magnu Souza -, após três anos regravando seus sucessos.

A canção Primo do Jazz, dos bambas Nei Lopes e Magnu Souza, faz parte do mais recente álbum da cantora Faz uma Loucura por Mim. Confira um trecho da faixa que diz: "meu samba tem um nhenhenhem/que pouca gente já sacou/meu samba faz pandant com jazz/do jeito que nunca negão negou/swing é ginga/soul é mandinga/assim como banzo é blues/meu samba é isso/afro-mestiço/preto de olhos azuis."

Assista a um trecho de Primo do Jazz

Diz aí!


TÁ LEGAL, EU ENFEITO A ARGUMENTO

Foi bom demais o lançamento da Enciclopédia. Imaginem que estavam lá na Livraria Argumento, pra me abraçar, o professor Alberto da Costa e Silva, autor de livros fundamentais sobre a África e membro da ABL; o diplomata e escritor Olabiyi Yai, embaixador do Benim na UNESCO; o Gilberto Braga, que botou o Dondon e o Andaraí na novela das 8; o professor Victorino Chermont de Miranda do IHGB; além de muitos, muitos amigos de fé, alguns deles verbetizados no livro. Quem não foi, não sabe o que perdeu. Inclusive a chopada que rolou no boteco do lado. A propósito, o Haroldo Costa, festeiro como ele só, já está sugerindo a realização do "1º ENCONTRO NACIONAL DE VERBETES DO NEI LOPES" , a ser brevemente realizado, provavelmente no Estádio Mário Filho. Se a Igreja Universal pode...

Diz aí!