meu lote


Segunda-feira, Setembro 27, 2004



TÔ COM JANDIRA

Entre um césar, um conde e um bispo universal
Eu acho que a JANDIRA é que é a tal.
Então, quem me estima e me admira,
Vota em JANDIRA!

Diz aí!


MANIA DE DICIONÁRIO

Esse negócio de fazer dicionário, enciclopédia é que nem cachaça. De repente, sem perceber, você está pensando um montão de bobagens e verbetizando em ordem alfabética. Vejam só:

AFRESCO - Qualificativo do artista plástico que é ao mesmo tempo militante negro e homossexual.

ASARADÃO - Rei da Assíria. Tremendo pé-frio, entornou a Caldéia e perdeu o Elan.

BELEROFONTE - Herói mitológico grego. A bordo do barco Calypso, também conhecido como Banana Boat, ficou famoso como cantor dos boleros Quimera e Pégaso.

BETÂNIA - Cantora baiana ocupada por Israel sobre o monte das Oliveiras.

BIXA ORELLANA - Apelido dado pelos portugueses ao navegador espanhol Francisco Orellana, o qual, recebeu dos índios, com os quais pintava ( no corpo a corpo), o nome nativo de Uru-cu.

BORDÉUS - Cidade portuária do sul da França. É a maior zona, ostentando, entretanto, uma prostituição singular.

BORRACHUDO - Gênero de insetos voadores da família dos Semfundus, classificado pelo entomologista chinês Chiang-Kai-Shek.

COCO CHANEL - Diz-se da mulher presunçosa, metida a cagar cheiroso.

CRESCENCIA CUJETE - Solteirona empedernida, também conhecida entre os botânicos como Cabaceira.

DIÓXIDO DE CARBONO - Historiador grego. Escreveu sobre os efeitos ambientais do repolho servido aos soldados troianos no interior do célebre cavalo de pau.

DIREITO CANTORAL - No México, remuneração a que os cantores de boleros como La Barca e El Reloj fazem jus, pela execução pública de suas interpretações.

DÍZIMO - Jogador de futebol brasileiro, reserva da seleção de 1954. Terminada a carreira, dedicou-se ao ministério evangélico.

DOCA STREET - Rua da cidade praiana de Búzios, marginal ao cais.

ENFITEUSE - Decoração com fitas, usada nos tribunais cíveis da França, no séc. XVII.

EQUADOR - Linha imaginária traçada ao redor do triângulo na representação gráfica da equação de 90º, temperatura em que entra em ebulição o ângulo reto.

EQUINÓCIO - Denominação das duas datas anuais nas quais, à noite, os eqüinos ficam doidos pra trepar.

ESCOLA DE FRANKFURT - Estabelecimento de ensino alemão, dedicado à formação de técnicos no fabrico de salsichas. Seu maior expoente foi Adorno, um cara que gostava de enfeitar.

ESCOLÁSTICA - Nas escolas de samba, admoestação violenta feita pelos diretores de harmonia às pastoras negligentes.

ESPÁRTACO - Espécie de colete usado pelos gladiadores romanos.

ESTRÔNCIO - Halterofilista mineiro, nascido em Cataguazes, em 90.

EUFRATES - Sociedade esotérica e de caridade cujo símbolo é um tigre.

EUGENIA EDULIS - Mulata gostosa, muito comestível, também conhecida pelo nome de Cambucá.

FAGÓCITO - Instrumento musical que absorve e engloba bactérias e células musicais estranhas, o que lhe confere um som anasalado e muito característico.

FAUSTO - Jogador de futebol afro-brasileiro que vendeu a alma ao Demônio em troca de sua convocação para a seleção de 1930. Ludibriado pelo Sujo, foi transformado num branco grandão, gordo e chato e condenado a transformar os domingos numa sucursal do inferno.

FENDA PALATINA - Espécie de canyon onde moravam os deuses da Roma Antiga.

FOTOSSÍNTESE - Fotografia que diz tudo, sem precisar de legenda.

GEISER - General brasileiro que lançava na atmosfera, a intervalos, jatos de vapor e água superaquecida.

GORDON SETTER - Ator cinematográfico escocês. Celebrizou-se no papel de Rin-Tin-Tin.

HAXIXE - Dança oriental lasciva e de efeito entorpecente.

HIDRA DE LERNA - Revolucionário equipamento de combate a incêndios, em forma de uma serpente de sete cabeças, criado pela Prefeitura de Curitiba.

KAGANOVITCH, L - Estadista russo, íntimo colaborador de Stalin. Quando não mandava na entrada, mandava na saída.

KAISER - Título dos governantes do Sacro Império Romano Germânico e da monarquia alemã moderna. Foi abandonado porque provocava diarréia e uma puta dor de cabeça no dia seguinte.

LENOCÍNIO - Crime de que foi acusado o assassino de John Lennon, criador do Leninismo.

MISTECAS - Povo pré-colombiano do sudoeste do México. Foram os inventores do T-Bone Steak apimentado.

MORGADINHA DOS CANAVIAIS, A - Aquela soneca rápida que os trabalhadores das plantações de cana Júlio e Diniz tiram, depois de sua comer sua bóia fria.

NEGRITUDE JÚNIOR - Grupo de pagode constituído, no eixo Antilhas-Paris-Senegal por Henri Senghor, Aimé Césaire e outros velhinhos transviados, depois de assistirem ao filme "Cocoon".

PILHA DE VOLTA - Bateria de 12 volts recarregável.

VALE DO PARAÍBA - Adiantamento de salário, outrora (antes do politicamente correto) feito aos operários da construção civil.

Diz aí!

Segunda-feira, Setembro 20, 2004

PARTIDO AO CUBO - ENTREVISTA

Acabo de dar uma entrevista para o "Jornal da Comunidade", de Brasília. Como
as perguntas são interessantes, resolvi socializar as respostas com o povo
do Meu Lote. Lá vai!

1 - Você homenageia Cuba nesse novo CD. Quais os ritmos caribenhos que se
misturam ao samba?
R: Você pode misturar o que quiser. Minha certeza é a de que existe um
substrato da antiga e pujante civilização Kongo (florescida na bacia do rio
Congo e estendendo-se para o interior e até quase o sul de Angola) que
moldou toda a música da diáspora africana nas Américas - da calinda e da
bamboula do sul dos Estados Unidos até o candombe do Prata, passando pelo
amplo espectro do samba (tambor de crioula, coco, chula, calango, fandango
etc), em todo o
Brasil. E aí não estou falando de "ritmos", que é muito pouco. Estou falando
de todo um "corpus" musical.

2 - A mesclagem do samba com a música cubana parece confirmar que a
tendência do samba tradicional (o batuque do morro) é mesmo o de ir se
diluindo num processo de mistura com outros ritmos dentro da infinidade de
possibilidade de ampliação do seu espectro. Isso não confirma aquela tese de
que o samba (o tradicional) não existe mais em termos mercadológicos?
R: Então, o samba do Zeca Pagodinho não é tradicional?

3 - O que você achou da atitude do Marcelo D2 que foi buscar no samba
parceria para uma mesclagem em seu novo CD?
R: Se ele gravasse samba, mesmo, eu ficaria mais contente.

4 - O rap, o hip hop, esses ritmos com influência norte-americana, não
ameaça a sobrevivência do samba nos morros? A nova geração não estaria sendo
atraída para esses novos ritmos?
R: O rap e o hip-hop não são "ritmos com influência americana". Eles são
estilos da música negra americana. E quando você fala "morro", a quê é que
vc está querendo se referir? Hoje, aqui, essa dicotomia "morro/asfalto" já
era, cumpádi!

5 - Você citaria, além de Dudu Nobre, outras revelações surgidas no que é
considerado "samba de raiz" nesses últimos tempos? Esses novos talentos
demonstram que Zeca Pagodinho não foi a última fronteira do samba?
R: Acho que você andou lendo o livro errado. Primeiro, Zeca não "foi". Ele
"é", mermão! E eu estou, de novo, firme e forte, com ele no novo disco, num
samba em parceria. Quanto às novas "revelações", elas estão em todo canto
onde se faz samba. Você conhece o Quinteto em Branco e Preto, o Samba da
Vela (São Paulo), o Sururu na Roda, a Lapa, o Cacique de Ramos? O fato de
as "majors" e a grande mídia fingirem que não estão vendo, é outro papo,
malandraje!

6 - Como vc situa hoje o samba, especialmente o samba carioca, no conjunto
da música brasileira? Como você vê as escolas, sobretudo agora que o
patrocínio de empresas e estados tomou conta?
R: O samba é isso tudo aí que você já sabe. Quanto a escola de samba, não tem
nada a ver com samba. Como você já deve ter percebido também, porque eu sei
que você é esperto.

7 - Como você analisa os espaços destinados ao samba no Rio de Janeiro, cada
vez mais freqüentados por jovens, a ascensão do choro, que vem
produzindo músicos de alta qualidade? Poderia citar alguns novos nomes que
representam novos talentos do choro.
R: O choro é apenas a face instrumental do samba, morô!? As vezes lentinho,
cadenciado, ás vezes mais rápido...

8 - Em relação ao ressurgimento da velha guarda em várias escolas de samba,
o que isso representa para o universo do samba? Poderia citar umas três
escolas onde a velha guarda está voltando com força total?
R: A Velha Guarda é aquele pessoal que vem lá atrás do desfile, cansado,
tirando o chapéu? Eu gostava mais quando vinham na frente. Inclusive eu vim
três vezes, no Salgueiro. Quanto aos conjuntos musicais de veteranos, gosto
muito do da Portela, que surgiu espontaneamente, sem preocupações
mercadológicos. Só que a Cristina Buarque gravou Manacéia; Paulinho da Viola
reuniu o grupo naquele disco antológico de 1970 e aí todo mundo quis fazer
igual. Mas é difícil... Dizem que tem "velha guarda" aí cujo integrante mais
velho tem 38 anos!

9 - Você acha que o Brasil já descobriu que, em função de sua extraordinária
diversidade cultural, pode abrir milhares de oportunidade para jovens em
todo o País, que aguardam uma oportunidade de descobrir cada um qual é o seu
talento.
R: "O Brazil não conhece o Brasil" - já diziam Maurício Tapajós e Aldir Blanc.

Diz aí!

Quinta-feira, Setembro 16, 2004

SÉRGIO CABRAL E O SHOW DO PARTIDO AO CUBO

Recebo e-mail do crítico Sérgio Cabral, velho amigo, a propósito do show de lançamento do nosso CD 'Partido ao Cubo":

"Em primeiro lugar - escreve ele - uma preocupação quando vi você chamando a turma que trabalha com você. 'Haja dinheiro para pagar a essa gente toda!', pensei. Mas eles começaram a tocar - e, em seguida, a cantar - e meu pensamento foi outro: 'Que maravilha!' E, finalmente, você.

Com licença para o palavreado, meu pensamento foi: 'Puta que pariu! Onde este cara vai parar?' É que você me dá a impressão de crescer de 10 em 10 minutos não só como compositor, mas também como intérpete e homem de palco. Cheguei até a especular: 'Se aos sessenta e poucos ele está assim, imagina aos oitenta"

Diz aí!


GIRASSÓIS NA ALMA

Acabo de chegar em casa - sobraçando um belíssimo amarrado de girassóis que ganhei ontem - para tomar uma água de coco e me estirar na rede.

Elegbá, Oxum e Logun-Edé me ouviram. E fizeram com que o show de lançamento do "Partido ao Cubo" fosse um grande sucesso.

Dezesseis "românticos de Cuba" no palco, os naipes de sopro indo até lá do outro lado da Praça Tiradentes, as belíssimas bases mantendo tudo no lugar, a percussão varando o Infinito e indo até a Baixada, a Bahia e Santiago, na província de Oriente - lá onde o "Ivan" não alcança...

Raiz cúbica, gente boa!

Ah! Que bom poder, aos 62 anos, ser moderno sendo africano, ser internacional sem deixar de ser brasileiro; e carioca até a raiz de meus cabelos bantos.

Igboru Igboye! Obrigado, meus Amigos! Quem foi, viu. Quem ainda não quis ver, um dia vai enxergar.

It's just a matter of time - como cantava o Brook Benton.

Diz aí!

Sexta-feira, Setembro 10, 2004

Ê, IRAJÁ! É ISSO AÍ!

A moçada do Portal do Samba, projeto do SENAC-Rio agora denominado "Galpão das Artes Companhia de Teatro", acaba de vencer o 27º Festival Estadual de Teatro do Rio de Janeiro, que aconteceu de 27/08 à 04/09, em Angra dos Reis, durante a FITA - Festa internacional de Teatro de Angra.

No maior festival de teatro do Estado do Rio de Janeiro, que agrega grupos dos mais variados municípios fluminenses há 27 anos, alguns já consagrados, os estreantes do Irajá simplesmente arrebentaram e levaram o principal prêmio do Festival.

O FITA reuniu artistas dos mais consagrados no meio teatral e na mídia em geral, o que engrandece ainda mais o feito dos meninos. O espetáculo "É Isso Aí, Irajá" - com texto de Nei Lopes e música de Lopes e Ruy Quaresma - sagrou-se vencedor nas categorias: Melhor Espetáculo, Melhor Direção (Ribamar Ribeiro), Melhor Atriz Coadjuvante (Flávia Santos) e teve ainda indicações nas categorias Melhor Atriz Coadjuvante (Cris Samper), Melhor Texto Original (Nei Lopes) e Melhor Espetáculo - Juri Popular.

Com esta vitória, os jovens já tem assegurada uma temporada no Teatro Miguel Falabella (NorteShopping) no início do ano que vem; participação na 4º Mostra de Teatro de Búzios (Outubro ou Novembro), participação no 8º Festival de Teatro de Cabo Frio (também outubro ou novembro), como convidados para encerrar o evento.

(Texto adaptado de release circulando na Internet)

Diz aí!

Terça-feira, Setembro 07, 2004

FELISIDADE

Flanando por entre valas negras e orelhões quebrados, vejo na minha rua seropedicana, encimada por uma estrela de Davi toscamente desenhada, uma pichação neopentecostal: "FELISIDADE COMESA COM FÉ."

Pena que eu não tenho spray, pincel ou tinta à mão. Mas dá (não dá?) uma tremenda vontade de acrescentar:
"E COM AUFABETISASSÃO!"

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FANFARRA

Mas nem tudo está perdido, gente! Tem a Fanfarra Municipal de Seropédica (FAMUSE).

Com seu traje impecável, seus veludos, seus penachos, seus 180 componentes, seus metais afinados, sua percussão tinindo, seus balisas e coreografias espetaculares, está botando pra quebrar.

No dia 3, no desfile cívico da cidade, o grupo deixou todo mundo embasbacado. E vejo na internet que já tocou na barca de Niterói, em junho do ano passado, e que abrilhantou, este ano, o desfile de 7 de setembro na terra de Araribóia.

As fanfarras são, hoje, uma saudável moda no Grande Rio. Têm arrebanhado milhares de jovens, atraídos pela música e pela beleza dos trajes.

E aí, começo a enxergar nelas alguma coisa muito forte vindo por aí. Quem sabe até para ocupar o vazio deixado pelas escolas de samba.

A Fanfarra de Seropédica pode representar para o jovem município o que a Beija-Flor representou para Nilópolis a partir de meados da década de 1970. Quem sabe?

Diz aí!

Sexta-feira, Setembro 03, 2004

DIREITO AUTORAL E INTERNET

Um grande jornalista carioca, que eu admiro porque é isento, sério e sempre me prestigiou, escreveu dias atrás, numa matéria sobre garimpagem e cata de música em sites na Internet, o seguinte:

"Quanto ao direito autoral, ele não é pago nesses sites. Colecionadores e fãs trocam arquivos de música sem transação monetária. Sim, autor, intérprete, produtor etc não estão ganhando nada, mas, de alguma forma, já receberam por seu trabalho".

É importante que o meu conceituado e querido jornalista observe que "trabalho" é uma coisa e "direito de autor" é outra. Quando um autor ou um intérprete criam uma obra (o intérprete é também "autor", de sua interpretação) , eles estão realizando muito mais que um trabalho ou um serviço pelo qual se remunera e acabou. Eles estão dando vida a uma criação imaterial, emanada de sua alma, que se torna sua propriedade; e cujo uso podem autorizar ou não.

Sei que é difícil entender algo imaterial como passível de ter dono ("música é como passarinho; de quem pegar primeiro" - diziam os antigos). Mas é só transportar o raciocínio para o domínio material.

Por exemplo, você constrói uma casa, a mobilia e equipa e vai dar um bordejo. Na volta, você encontra um fazendo comida na sua cozinha, outro lendo na sua sala, outro mais dormindo no seu quarto. Bom, se você consentiu, tudo bem. Agora, se você não autorizou, mete bronca e bota esses vagabundos todos pra fora! No ato.

Diz aí!

Quinta-feira, Setembro 02, 2004

ALI KAMEL NA VEJA

Olha aí! Quem quiser saber como é o rosto do jornalista Ali Kamel, diretor de telejornalismo da Rede Globo, é só dar uma olhadinha na Veja desta semana (não compra, não: folheia na banca, seu bobo!). É na matéria de capa sobre os 35 anos do Jornal Nacional. E ele, que eu imaginava um levantino gordo, de barba grisalha e albornoz, até que é um garotão simpático, com cara de primeiro aluno e oclinhos de CDF. Confiram! Agora: não façam maldade com o retrato, hein seus crioulos cotistas, quer dizer, feiticeiros!...

Diz aí!