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Segunda-feira, Junho 28, 2004
BRIZOLA, SEMPRE! Fora do ciberespaço durante toda a semana, só agora posso falar da morte do líder Brizola, a quem modestamente servi no seu segundo mandato como governador do Rio. E, para não repetir o que todo mundo já disse, limito-me a reproduzir trecho de um artigo publicado por meu velho amigo Eliakim Araújo, companheiro de militância no C.A.C.O, da Faculdade Nacional de Direito, na década de 1960: "O que vi no Jornal Nacional na última terça-feira - escreveu Eliakim - soou-me como um pedido de desculpas da emissora ao líder desaparecido. O tempo gasto com a cobertura da morte, desde o velório no Rio aos depoimentos de políticos em Brasília, a presença de um dos Marinho junto ao caixão, tudo pareceu uma penitência por tantas injustiças cometidas. Nos textos dos repórtees da Globo encontrei expressões como 'Brizola, até o último momento, foi fiel às suas idéias e ao trabalhismo', ou esta outra: 'ele dedicou sua vida política ao Brasil". *** É isso aí, Eliakim! A Globo não mais "costeia o alambrado". Brizola morreu! Viva Brizola! Quinta-feira, Junho 24, 2004
DONGA, UM RETRATO AMPLIADO A partir dos anos de 1870, na região que se estendia da antiga Praça Onze de Junho até as proximidades da atual Praça Mauá, compreendendo as antigas freguesias e localidades de Cidade Nova, Santana, Santo Cristo, Saúde e Gamboa constituía-se o núcleo principal da comunidade baiana na cidade do Rio de Janeiro, antiga capital do Império e mais tarde da República. Pólo concentrador de múltiplas expressões da cultura afro-brasileira, da religião à música, a região tinha como centro a "Pequena África" (expressão usada pelo escritor Roberto Moura, baseado numa afirmação do artista Heitor dos Prazeres, segundo a qual a Praça Onze seria "uma África em miniatura"), berço onde se gerou o samba em sua original forma urbana. Também na região foi que se estabeleceram os primeiros candomblés jeje-nagôs em terras fluminenses. Assim é que em 1886, a importante ialorixá baiana Mãe Aninha fundava um terreiro na Saúde para em 1925 voltar e iniciar sua primeira filha de santo carioca, no Santo Cristo. Por essa época, também, o famoso babalaô Felisberto Sowzer, o Benzinho, fundava sua casa na rua Marquês de Sapucaí, próximo às casas de Cipriano Abedé, na rua João Caetano e João Alabá, na rua Barão de São Félix. Além disso, pesquisas recentes revelaram, no seio desse grupo, resquícios de práticas negro-islâmicas sobreviventes à grande repressão que se seguiu à grande Revolta dos Malês, ocorrida em Salvador em 1835. O estabelecimento dessa comunidade no Rio traduz-se, também, na divulgação, fora de seu âmbito, de produtos como a culinária de origem africana, a qual, em 1881 já era oferecida em restaurantes como o Bahiano, que servia vatapá de garoupa, moqueca de peixe, angu de mocotó e cuscuz de tapioca. E seu próprio âmbito se estendia além dos limites acima traçados, com membros residindo muitas vezes alguns quilômetros além; como foi o caso de Tia Amélia do Aragão. Membro atuante da comunidade baiana, Amélia Silvana de Araújo morou primeiro na rua Teodoro da Silva, em Vila Isabel (já assim denominada em 1878, em homenagem ao autor da proposta legislativa que resultou na Lei do Ventre Livre, o político e magistrado Teodoro Machado Freire Pereira da Silva) e depois na rua do Aragão, no Andaraí Pequeno, próximo à Fábrica das Chitas, nas cercanias da atual Praça Saenz Pena. Na Teodoro, no número 44, foi que Amélia deu à luz seu filho Donga, em 5 de abril de 1889, um pleno sábado de aleluia. Nascido nessa alegre circunstância, e numa casa baiana onde se realizavam grandes reuniões de samba - sua mãe, segundo ele, foi uma das pessoas que introduziram o samba baiano no Rio - Ernesto Maria Joaquim dos Santos, o Donga, era provavelmente um filho de Oxum. Ciumento, lutador vigoroso pelo sucesso, emotivo, inspirado e sensível, um filho de Oxum assim nascido tem sempre grandes chances de ser um músico de sucesso. E assim foi. Bem cedo, levado por sua mãe, começa ele a freqüentar a "Pequena África" e a conviver com figuras de nomes tão sonoramente simbólicos quanto evocativos de sua importância histórica: Tia Sadata, Miguel Pequeno, Amélia Quindúndi, Tia Bebiana, Tia Presciliana, Rosa Olé, Bambala, Hilário Jovino e Tia Ciata! E aos 16 anos já está ele às voltas com o cavaquinho; para logo depois já estudar violão com o célebre Quincas Laranjeira, autor de um método inovador. Vivia-se, entretanto, no Brasil, pelos primeiros anos do século 20, um clima absolutamente desfavorável a qualquer expressão cultural emanada do povo negro. Menos de duas décadas tinham-se passado da extinção legal do trabalho escravo e a sociedade brasileira procurava, de todos os modos, apagar a "mancha africana". Assim, em termos musicais, ao tempo das chapas de gramofone, que eram os primitivos suportes fonográficos, gravavam-se polcas, valsas, modinhas, maxixes, lundus etc. Mas o samba propriamente dito (e o termo "samba" designava qualquer batuque de negros) tinha interesse apenas etnográfico, sem qualquer possibilidade mercadológica. À parte, então, esse particular interesse etnográfico, do ponto de vista mais geral o samba era prática marginal, desclassificada. Era a música dos libertados porém deserdados pela Abolição, dos desordeiros, dos capadócios, da malta enfim. E por isso era reprimido pela ordem constituída, num estado de coisas que, menos ou mais brandamente, veio até a década de 1930. "Os sambistas, cercados em suas próprias residências pela polícia, eram levados para o distrito e tinham seus violões confiscados" - contava Donga ao escritor Muniz Sodré, conforme transcrito no livro "Samba, o dono do corpo" (Rio, Codecri, 1979). Segundo Donga - bem falante e articulado, conforme Sodré - no governo de Rodrigues Alves (1902 - 1906) as funções de delegado de polícia, antes exercidas por "beleguins" que compravam patentes da Guarda Nacional, passaram a ser exercidas por bacharéis em Direito, o que deu início a um certo abrandamento das perseguições a sambistas. Mas em 1908, seu amigo e companheiro João da Baiana ainda tinha o pandeiro confiscado pela polícia, tendo que, então, recorrer ao todo-poderoso senador Pinheiro Machado, que lhe teria dado um instrumento novo e com dedicatória, numa espécie de salvo-conduto. Foi nesse quadro que Donga, já respeitado como violonista e compositor, à frente de outros músicos negros, resolveu "introduzir o samba na sociedade", numa ação iniciada em 1916, com o registro autoral, na repartição competente, de "Pelo telefone", historicamente a primeira obra do gênero samba a receber estatuto legal. O grande mérito de Donga, então, além do inegável valor artístico - como compositor e como exímio executante de violão - foi o de, motivado pelo advento da indústria fonográfica e visando a ampliação das possibilidades de uma música antes restrita a um ambiente específico, o do seu povo negro, ter dado ao samba o status indiscutível de gênero musical brasileiro, o que o governo de Getúlio Vargas, na década de 1930, viria convalidar. Mas esta é apenas uma breve introdução justificativa à grande biografia que minha querida amiga Lygia Santos, pesquisadora dedicada, testemunha ocular e filha orgulhosa, começou a escrever, de dentro, conjugando rigor acadêmico a conhecimento de causa, apoiada não só em farta bibliografia como em documentos pessoais, para legar à posteridade o retrato ampliado do grande arquiteto da música popular brasileira que foi seu pai, Ernesto Maria Joaquim dos Santos, o Donga. Quarta-feira, Junho 23, 2004
FONDUE DE QUINTAL Meu Compadre Pavão, homem cheio de idéias acaba de me mandar, da Praça da Bandeira, a seguinte: "Compadre Nei: Para comemorar o final de Celebridade e levar o novo amigo de infância, Gilberto Braga, ao seu arraial em Seropédica.O encontro do samba com festa junina não é novidade.Na década de 70 já criamos para o nosso Renascença Clube, no badalado Andaraí, o SAMBA QUENTÃO e o PULE A FOGUEIRA E CAIA NO SAMBA. Naquele tempo o samba se encerrava no Sábado de Aleluia e só voltava na Primavera, quando começavam os ensaios. O Gilberto é um homem de hábitos sofisticados mas que também prestigia as raízes populares.Que tal o fondue de carne,queijos etc, mas também de carne-seca, queijo coalho etc, acompanhados de aipim e batata doce. Não esquecer de convidar o Fundo de Quintal e pedir para o Zeca levar o seu próprio caviar. Não esqueça de convidar a Natália Timberg, medium da Yolanda, que com certeza irá incorporar a personagem diante de um fondue de carne seca, no fundo de seu quintal. a) Seu personagem, Compadre Pavão." PS: Compadre Pavão, publicitário, foi o criador do "FENASOP, Festival Nacional do Ensopado", realizado durante 3 anos, com grande sucesso, por ocasião do meu aniversário, lá na casa do Irajá. Terça-feira, Junho 22, 2004
DIREITO AUTORAL... SÓ A PAU? Uma parábola da Belle-Époque Antes da promulgação do Código Civil, em 1916, a remuneração dos autores, de textos ou músicas, provinha da venda pura e simples de suas obras a um editor; e, no teatro, essa remuneração estava diretamente ligada ao retorno da bilheteria. No fundamental livro João do Rio, uma biografia (Rio, Topbooks, 1996), o autor João Carlos Rodrigues nos conta que a compositora Chiquinha Gonzaga em 1913 já reclamava direitos autorais e que seu biografado, jornalista e dramaturgo, também conhecido pelo seu nome civil reduzido, Paulo Barreto, nesses mesmos anos 10, já peitava seus poderosos editores da Garnier, sediada em Paris. Em 1917 - relata Rodrigues - depois da assinatura , no Itamarati, da Convenção Franco-Brasileira de Direitos Autorais ( a maioria das peças teatrais então aqui encenadas era francesa) nascia a SBAT, Sociedade Brasileira de Autores Teatrais. Seu primeiro presidente eleito foi João do Rio que, embora quase sempre referido como dândi e cronista superficial, adotou posições políticas bastante firmes e justificou a criação da sociedade nestes termos: "Seu único desejo é realizar o respeito à profissão de autor de teatro. Como não se respeita uma classe a que se paga, quando se paga, como cada um entende; como não se respeita uma classe por cujo trabalho não se tem a menor consideração, mudando o nome das peças sem dar satisfação aos autores.". Os empresários teatrais, à frente Paschoal Segretto, posicionaram-se contra a sociedade. Leopoldo Fróes, ator e diretor mas também empresário, passou a boicotar, através de uma lista negra, os autores filiados à SBAT, o que provocou o recuo e a deserção de dramaturgos importantes como Gastão Tojeiro. Logo depois, os empresários incentivaram a primeira dissidência, fundando a Associação dos Autores Dramáticos Brasileiros, AADB, presidida por Azeredo Coutinho e com a participação, entre outros, dos citados Fróes e Tojeiro. Nesse momento, João do Rio - conta J.C. Rodrigues - lança o vespertino O Rio-Jornal, no qual, sob o pseudônimo "Máscara Negra", assina uma coluna de teatro. Através dela, ataca a AADB e ironiza sua ligação com as sociedades autorais européias, cujos repertórios e direitos os próprios empresários ligados à associação costumavam adulterar e sonegar. A briga autoral resvalou, então, para os palcos, com Leopoldo Fróes inserindo em seus em seus textos alusões diretas e ofensas pessoais, principalmente ao grande João do Rio. Na noite de 17 de abril de 1918, no Teatro Trianon ao que parece, Leopoldo Fróes era provocado por uma gargalhada de Oduvaldo Viana, lançada de um camarote próximo ao palco. O ator tentou revidar com um discurso contra João do Rio e Viriato Correia mas sua voz foi abafada por uma vaia estrepitosa da platéia. E daí para a pancadaria e o conflito foi um pulo. Em meio ao pau comendo e às cadeiras que voavam, uma coadjuvante - conta J. C. Rodrigues - gritando "público filho da puta!", quebrou a sombrinha na cabeça de Oduvaldo Viana. Até que chegou a polícia, prendendo os principais envolvidos e levando-os para a 5ª delegacia. Então, mediados pelo delegado Albuquerque Melo, as partes confabularam e chegaram a um acordo. A partir daí, não se sabe exatamente como, instaurou-se momentânea paz no ambiente autoral brasileiro, com os empresários reconhecendo os direitos autorais e a tabela da SBAT e a AADB sendo dissolvida poucos meses depois. Os acontecimentos que se seguiram, todos já conhecemos: primeiro, os compositores que não eram do teatro e compunham predominantemente sambas, discriminados social e racialmente dentro da veneranda sociedade, fundaram uma só de autores musicais; depois, editores musicais estrangeiros começaram a interferir nas sociedades de compositores e incentivaram diversas dissidências, numa prática até hoje corrente; mais tarde, já na década de 70, face à multiplicação de entidades arrecadadoras, era criado um escritório, o ECAD, para unificar e centralizar a cobrança de direitos autorais musicais. Depois de outras tantas lutas, pateadas, pugilatos e até tentativas de homicídio, agora, 86 anos depois da noite histórica rememorada na biografia do João do Rio, e num tempo em que o "audiovisual" sufocou o teatro, agita-se novamente o ambiente autoral brasileiro. E em meio à agitação alguns setores propugnam pela implantação do Creative Commons, definido como "um sistema baseado na Internet que se propõe a ajudar as pessoas a dedicarem seus trabalhos ao domínio público" (cf. CartaCapital, 16.06.2004, pág.43). A ser aceito isso, vamos ver então, que de nada adiantou o "quebra-pau" de 1918 e os que vieram depois, incomodando e estressando tanta gente, como nós Tudo leva a crer que a indústria transnacional do entretenimento e seus arautos, em nome de seus lucros através da Internet, quer a volta da vigência do velho aforismo segundo o qual "música é que nem passarinho: de quem pegar primeiro". É isso? Se é, então só nos resta quebrar o pau. De novo. Sexta-feira, Junho 18, 2004
DONDON NO JOÃO CAETANO Depois que eu apareci na novela, fiquei bobo paca! E, aí, pra mostrar a todo mundo como sou bobo, resolvi fazer um show chamado "Tempo de Dondon" no João Caetano. Vai de 21 a 25 de junho, sempre às 6. Em ponto. Cariocamente... Estou cantando aquelas "coisas da antiga", tipo goiabada cascão em casca. E estão lá comigo o inexcedível Luis Filipe de Lima (violão), Nilze Carvalho (cavaquinho etc), Tereza Quaresma (flautas), Paulino Dias, Sílvio Carvalho e Marcelinho (percussões). Todo mundo vestido à moda 1930. Tempo de Dondon! Enquanto o "Partido ao Cubo", em fase de mixagem, não vem... Quarta-feira, Junho 16, 2004
O ESPÍRITO OLÍMPICO NA BAIXADA Domingo, o Espírito Olímpico andou pelas ruas do Rio. E na segunda, de bobeira, deu um rolé pela Baixada. Menino... Nem te conto! Quando o pessoal do "Ministério Presbítero-Congregacional do Evangelho da Chama Quadrangular dos Últimos Dias" viu aquela tocha, primeiro começou a berrar, histericamente, que era a vitória do Espírito Santo. Mas, depois, quando viu o tênis Mizuno, o calçãozinho Adidas e o bonezinho Nike, sentiu que o papo era outro e mudou o teor da gritaria: - Dizima ele! Dizima ele! Dizima! - ululava a massa neopentecostal. O Espírito Olímpico ficou apavorado: no meio daquelas valas negras, crateras nas ruas, bocas de fumo, aerrequinzes, escolas sem professores; no meio daqueles orelhões quebrados, ônibus piratas, hospitais sem esparadrapo e escolas sem professores, não tinha pra onde correr. Até que um pastor, analfabeto funcional mas de carro do ano, especializado em exorcizar encostos e debelar rebeliões, o tranqüilizou, beatificamente: - Calma, irmão Olímpio! Calma! Tá tudo dominado! Eles não quer te fazê mal. "Dizimar" aqui não é ripar, exterminar, não! "Dizimar "é pagar o dízimo! Bota aqui na sacolinha, bota!... Domingo, Junho 13, 2004
RAY CHARLES NO MINISTÉRIO DA CULTURA A forçação de barra no sentido de jogar o SAMBA na vala comum do pop já começa a atingir as raias do patético. Foi nessa que o pessoal do MinC - sabe-se lá o porquê - emitiu nota de pesar pelo falecimento do grande músico americano Ray Charles (e Rosinha de Valença, que partiu quase que no mesmo dia?), alegando, inclusive, sua contribuição até para o "pagode brasileiro". Factóides como esse, em sua "legitimidade intrínseca basicamente não consciente e não utilitária" (como diz a nota), estão espoucando, agora, a três por dois: "tombamento do samba"; "reforma agrária no direito autoral"; apoio a projeto de lei que legitima a inadimplência dos exibidores de cinema para com os autores de trilhas sonoras (a execução pública da música, através do filme, na sala de cinema, como em qualquer outro local, obriga ao pagamento de direitos autorais, sim: está lá na Lei). Então, presta atenção, pessoal do MinC! Os autores brasileiros conscientes já estão cantando "Don't break my heart". E daqui a pouco passam pra "I can stop loving you" (assim mesmo, na afirmativa). Porque o pior cego... Não! Ray Charles sabia das coisas! Sexta-feira, Junho 11, 2004
SOBRE A CASA DE CUSTÓDIA Seu Albino D'Aveiro chega pra mim e afirma, categórico: - A casa d' Custódia de Benfica é segura, sim! O já estibe lá... - Mas... como Seu Albino ? O senhor? - Pois, pois... Fica perto do conbento dos dominicanos, onde jaz Frei Luiz de Souza... E na capela dos Castros, está sipultado Dom João de Castro, vice-rei da Índia... - Espera aí, Seu Albino... - Quatro paredes caiadas... um raminho de alecrim... um cacho d' uvas doiradas ... quatro rosas, um jasmim... um São José de azulejos... uma promessa de beijos... - Qualé, Seu Albino! Isso é "Uma Casa Portuguesa"! Com certeza! - Pois, pois!? É a casa de Custódia d' Benfica... Ela me recebia só de xale, aquele xale preto, ... Passei mumentos inesquecíbeis lá! Naquel' tempo, Benfica era apenas um arrabalde de Lisboa... Ah, Custódia! Ah, Benfica!... Segunda-feira, Junho 07, 2004
DIA DOS NAMORADOS... Meu amigo Gilberto Nascimento me mandou essa. Vejam só. *** Tá certo, tá valendo tudo. Presente bem bolado é uma goiabada cascão, em caixa. Pois é, minha irmã me telefona e diz eufórica: - Achei! achei! - Achou o quê mana ? - Goiabada cascão, em caixa, numa loja da Barra. É uma beleza, com lacinho de fita e tudo. Ela explica, "um barato" o preço de R$ 24,00, como presente de namorado. Já meio desconfiado, achei que não seria a tal "Goiabada Cascão" que Wilson Moreira e Nei Lopes imortalizaram no samba antológico que todo o Brasil hoje, graças a Deus, conhece. Imortalizaram não só como samba, mas como sabor, com sabor de um bom passado. Ela descreveu a caixa: lisa,muito bem confeccionada e com um prego na tampa, que ao se girar, dexa antever a gulodice. - Péra aí. Não é a nossa, sinto muito, mana. A nossa era de madeira tosca, sem laço de fita e não girava nada. Era grampeada. Xi! Acho que tão grampendo o Nei e o Wilson. Aí é que entra a Dona Inês, nora do Dono da Fábrica "Santa Rita" lá das bandas de Santa Rita de Caldas, cidade vizinha de Poços de Caldas, sul de Minas. Ela atendeu um telefonema que eu dei, querendo a tal e verdadeira goiabada (que sabor, duca!) que meu filho trouxe em visita àquela cidade. Ao falar ao Bell, disse do Nei e sua cátedra. A mulher quase chorou! Ela vinha de uma missa e disse que a Providência Divina me pôs em contato com ela. Há muito, ela queria conhecer o autor de música tão linda do Tempo de Dondon e o endereço do Nei para enviar uma goiabada para a sua família. Preço, que preço, é só o coração que ela quer enviar. Mas querem saber quanto custa? é coisa em torno de R$ 2,50. Namorados de todos os quadrantes, uní-vos! |